05 Julho 2022, 13:34

Moçambique/Ataques: Guerra contra terrorismo domina arranque do parlamento

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 28 fev 2022 (Lusa) — O combate ao terrorismo em Cabo Delgado dominou hoje os discursos de abertura da sessão ordinária da Assembleia da República moçambicana, com apelos a políticas de desenvolvimento que possam desencorajar os jovens a aderir ao extremismo.


“A questão do terrorismo, com epicentro em Cabo Delgado, constitui preocupação da Renamo e de todo o povo moçambicano”, afirmou Viana Magalhães, chefe da bancada parlamentar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).


Magalhães declarou que “é reconfortante” que as forças governamentais estejam a reconquistar, progressivamente, áreas que haviam sido ocupadas pelos grupos armados em Cabo Delgado, mas considerou preocupantes notícias de que estão, novamente, a ficar mais frequentes ataques armados dos insurgentes.


O chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) apelou ao Governo para manter a pressão militar sobre os “terroristas”, mas defendeu políticas de desenvolvimento a favor dos jovens, uma vez que é o desemprego que os torna vulneráveis ao recrutamento por grupos armados.


“A situação militar e de segurança das populações em Cabo Delgado continua a constituir uma preocupação nacional”, enfatizou.


A solução militar, prosseguiu, por si só, não é suficiente, porque são necessárias medidas económicas e sociais para os jovens.


Sérgio Pantie, chefe da bancada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, considerou prioritária a restauração da paz em Cabo Delgado, saudando os avanços alcançados pelas forças governamentais de Moçambique, Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) no combate aos grupos armados.


“A paz é o bem mais precioso para todos os moçambicanos. Partidos políticos, organizações da sociedade civil e confissões religiosas que continuem a ser atores relevantes na educação patriótica e na mobilização dos moçambicanos para a paz”, frisou.


Pantie criticou notícias que dão conta da nomeação de um sucessor de Mariano Nhongo, líder da autoproclamada Junta Militar, uma dissidência armada da Renamo, morto em combate pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS).


“Com preocupação, tomamos conhecimento de que a Junta Militar da Renamo nomeou um novo líder, sinal de que pretende continuar pelo caminho do saque, da matança, dos assassinatos e da destruição de infraestruturas económicas importantes para o nosso desenvolvimento”, enfatizou Sérgio Pantie.


No sábado, as FDS anunciaram um reagrupamento da autoproclamada Junta Militar da Renamo.


“A última informação que temos é de que recentemente houve eleições internas e foram nomeados novos dirigentes da Junta Militar. Quer dizer que este grupo, para todos os efeitos, continua” ativo, referiu o brigadeiro Chongo Vidigal, diretor de Operações no Ministério da Defesa.


Segundo referiu, as eleições decorreram na serra da Gorongosa, centro de Moçambique, apesar do silêncio a que o grupo se remeteu depois de o líder, Mariano Nhongo, ter sido abatido numa troca de tiros com forças policiais em outubro de 2021.


“Depois da morte do líder da Junta Militar, Mariano Nhongo, o quadro da situação alterou-se profundamente, mas não quer dizer que tenha terminado: quando se elimina um líder não quer dizer que a força deixou de existir”, acrescentou.  


A província de Cabo Delgado, é rica em gás natural, mas, aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.


O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 859 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.



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