05 Dezembro 2022, 12:20

Moçambique/Ataques: MSF pede menos burocracia para acudir a pico de violência

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 02 fev 2022 (Lusa) – A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) pediu hoje menos burocracia para importar carga médica e prestar serviços de saúde em Cabo Delgado, onde há um pico de violência nas últimas semanas, anunciou em comunicado.


A organização frisa que “a importação de provisões médicas, de forma rápida e liberta de burocracia, permanece crucial para a organização continuar a desenvolver e a ampliar a prestação de cuidados de saúde que salvam vidas em Cabo Delgado”.


A província vive nas últimas semanas um “novo pico de ataques e violência”, que causou “mais uma vaga de milhares de pessoas deslocadas em apenas algumas semanas no final de janeiro, a maior registada nos últimos meses”, refere a MSF.


A organização contabiliza “mais de 20 ataques a quatro aldeias nas últimas duas semanas, com 2.800 casas danificadas ou destruídas no distrito de Meluco e em zonas do sul do distrito de Macomia”.


“Pelo menos 14 mil pessoas tiveram de fugir em busca de segurança e meios básicos de sobrevivência”, acrescenta no mesmo comunicado.


Os ataques têm sido atribuídos pelas autoridades a grupos dispersos de insurgentes que tentam escapar da ofensiva militar em curso desde julho de 2021 no norte da província.


A fuga da população acontece numa altura difícil, “a época de ciclones e chuvas intensas”, refere.


A situação agrava “a enorme vulnerabilidade resultante das deslocações em fuga da violência e à falta de acesso a cuidados médicos”.


“O risco de cheias aumenta significativamente a possibilidade de ocorrerem surtos de doenças potencialmente fatais como a malária e doenças diarreicas”, sublinha a organização.


“A MSF reitera a importância do acesso seguro e sem restrições às populações, para que as equipas possam adaptar-se e fazer chegar às pessoas muito necessários cuidados médicos”, conclui. 


A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.


O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.


Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes.



LFO // LFS


Lusa/fim


 

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