26 Janeiro 2022, 08:38

Moçambique/Ataques: PR pediu que se evite o “pânico” com sinais de alastramento da violência

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 16 dez 2021 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou hoje ao país para não entrar em “pânico” face a “focos de expansão” da ação de grupos armados que fogem da ofensiva militar na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.


“Há vezes em que [prefiro o] apelo ao não pânico, quando há uma situação, prefiro enfrentar e não agitar”, afirmou Nyusi.


O chefe de Estado moçambicano falava na Assembleia da República (AR) sobre a situação geral da nação, no capítulo sobre “o terrorismo” no norte do país.


Na semana passada, o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, admitiu que grupos armados atacaram recentemente veículos transportando agentes e alvos civis em Niassa, província vizinha de Cabo Delgado.


No seu discurso hoje no parlamento, Filipe Nyusi avançou que os grupos armados que atuam em Cabo Delgado estão em fuga “para qualquer direção”, porque estão sob pressão das Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas e dos efetivos militares da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Ruanda.


“O terrorismo não tem quartel, as bases [dos grupos armados] sinalizadas, na sua maioria, foram desativadas. Neste momento, prosseguem ações de perseguição”, prosseguiu.


A ofensiva “conjunta e combinada” resultou na morte de 200 combatentes de grupos armados e a captura de 245, bem como a captura de diverso material bélico, acrescentou.


Filipe Nyusi assinalou que entre os que foram “colocados fora de combate incluem-se comandantes e ideológicos extremistas” dos grupos armados.


O Presidente destacou que os ataques dos grupos armados reduziram de 160 em 2020 para 52 este ano, como resultado da pressão militar.


“Fomos capazes não só de conter, mas de reduzir em três vezes as ações terroristas”, referiu.


Filipe Nyusi assinalou que o terrorismo resultou na morte de mais de 2.000 pessoas e na fuga forçada de mais de 817 mil, desde a eclosão dos ataques armados, em outubro de 2017.


A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.


O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.


 


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Lusa/Fim


 


 

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