10 Setembro 2022, 10:16

Moçambique diz estarem reunidas condições para repatriamento de treinador português

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 01 ago 2022 (Lusa) — O Serviço de Migração de Moçambique disse hoje à Lusa estarem criadas as condições para o repatriamento, nos próximos dias, do treinador português Alberto Lário, que deve hoje receber alta hospitalar, após ser internado com covid-19.


“Estávamos apenas à espera que lhe fosse dada a alta hospitalar para dar seguimento ao processo”, explicou à Lusa Felizardo Jamaca, porta-voz do Serviço de Migração de Moçambique na cidade de Maputo.


O treinador, uma figura que tem sido uma referência para novas gerações do atletismo em Moçambique, foi detido há pouco mais de duas semanas, alegadamente por existirem irregularidades na sua documentação.


Poucos dias depois da sua detenção, Alberto Lário foi internado no Hospital Militar de Maputo após testar positivo para covid-19.


“As últimas informações que tinha davam conta de que ele teria alta hoje e, depois disso, vamos dar continuidade ao processo para que ele seja deportado”, frisou Felizardo Jamaca.


Segundo as autoridades moçambicanas, Alberto Lário está em situação de irregularidade desde 2019, ano em que o seu Documento de Identificação de Residentes Estrangeiros (DIRE) teve o seu prazo expirado.


Alberto Lário foi obrigado a pagar uma multa de cerca de um milhão de meticais (15 mil euros) e, para regularizar a sua situação, deverá voltar para Portugal.


“A multa já foi paga. Mas serão ainda tomados os procedimentos para que a sua situação seja regularizada”, disse hoje à comunicação social Fulgêncio Seda, Diretor-geral do Serviço Nacional de Migração.


Alberto Lário, que nasceu em Moçambique e saiu do país muito novo, tem há mais de seis anos um pedido de nacionalidade “pendente”, mas o Serviço de Migração de Moçambique considera que o técnico deveria ter levantado a questão junto das autoridades às quais submeteu o requerimento, acrescentando não existir nenhuma prova deste pedido.


O técnico português, que treinou e apoia vários jovens atletas moçambicanos, conseguiu o marco de colocar Verónica José entre as melhores atletas mundiais em juniores femininos, numa aposta que contou com o apoio da Associação Portuguesa (AP) de Moçambique.


O campeonato mundial de atletismo em Sub20 em Cali, Colômbia, que arranca hoje, será a primeira grande competição internacional da corredora nos 1.500 metros, que bateu o tempo de 4.29 minutos em Braga, e tem vindo a melhorar a prestação.


A detenção do treinador, que resultou de uma denúncia feita pelo presidente da Federação Moçambicana de Atletismo, Kamal Badrú, gerou uma onda de indignação entre os atletas moçambicanos, que decidiram organizar uma marcha até ao edifício do Serviço de Migração de Moçambique há duas semanas, exigindo a libertação do “coach Lário”, como é popularmente conhecido em Moçambique.



EYAC // PJA


Lusa/Fim

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