27 Outubro 2021, 23:24

Morreu Lee ‘Scratch’ Perry, lenda do reggae e dub jamaicano

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

O músico e produtor jamaicano Lee ‘Scratch’ Perry, nome histórico do reggae e dub, morreu hoje aos 85 anos no hospital, anunciaram vários meios de comunicação social e o primeiro-ministro do país.

“Será sempre lembrado pela seu contributo exemplar para a fraternidade da música. Que a sua alma descanse em paz”, afirmou o chefe do governo, Andrew Holness, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

O jornal Jamaican Observer noticiou que Perry morreu no hospital Noel Holmes, na localidade de Lucea, perto de onde nasceu. A causa da morte não foi adiantada.

O primeiro-ministro jamaicano citou o trabalho do artista, nascido Rainford Hugh Perry, com artistas como Bob Marley and the Wailers, The Congos, Adrian Sherwood e os norte-americanos Beastie Boys.

Ao longo de mais de sessenta anos de carreira, o artista nascido Rainford Hugh Perry ajudou a criar o reggae como estilo musical e produziu centenas de discos de artistas como Max Romeo, Junior Murvin, Bob Marley and the Wailers ou The Congos.

Colaborou com muitos outros artistas não jamaicanos, como os norte-americanos Beastie Boys, The Clash, o produtor britânico Adrian Sherwood ou o grupo de eletrónica inglês The Orb.

Em nome próprio ou com a sua banda The Upsetters, lançou dezenas de discos marcados pelo seu estilo de produção, com técnicas de estúdio que criou e que deram o seu cunho a todo um subgénero do reggae conhecido como dub, assente em remisturas ou releituras instrumentais de temas existentes.

O guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, declarou à revista Rolling Stone em 2010 que Perry era “o Salvador Dali da música”.

“Ele é um mistério. O mundo inteiro é o seu instrumento. Tem mesmo que se ouvir”, afirmou o músico britânico.

O pioneiro do hip-hop Afrika Bambaataa também declarou que foi o som de Perry que inspirou os criadores do género.

Nascido numa zona rural da Jamaica, Perry afirmou vir de uma família pobre e declarou numa entrevista em 1984 ao semanário musical britânico New Musical Express que, quando saiu da escola, “não havia mais nada para fazer senão trabalhar no campo”.

“Era um trabalho muito, muito duro. Eu não gostava daquilo. E comecei a jogar dominó. Com isso, treinei a minha mente e aprendi a ler as mentes dos outros, o que se revelou eternamente útil para mim”, afirmou o músico, que atuou várias vezes em Portugal nas últimas duas décadas.

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