09 Setembro 2022, 14:21

Morreu o costureiro japonês Issey Miyake, aos 84 anos

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

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O costureiro japonês Issey Miyake, conhecido pelas criações que combinavam tradição com materiais e cortes de vanguarda, morreu na passada sexta-feira, anunciou hoje o seu estúdio, em Tóquio.

Nascido em Hiroshima, em 1938, Miyake estudou Design na Tama Art University, da capital japonesa, antes de se especializar em Moda na Europa e nos Estados Unidos, tendo inicialmente trabalhado em Paris nas casas de Guy Laroche e Hubert de Givenchy.

Em 1970, fundou o Miyake Design Studio, no país de origem, e primeira marca sob o seu próprio nome, conquistando pouco depois os palcos da moda de Paris, Milão e Nova Iorque, e o reconhecimento global.

Miyake é conhecido sobretudo pelo uso de plissados nas peças de vestuário, pela assimilação de golas altas e pelo uso de padrões geométricos, numa combinação de influências orientais e ocidentais, que estiveram na base de coleções como “East” e “West” (“Oriente” e “Ocidente”), que o afirmaram, durante os anos de 1970, e que resumiu no primeiro catálogo dedicado à sua obra, “East Meets West”, de 1978.

O costureiro japonês abriu perspetivas com linhas como “Plantation”, de 1981, adaptável a qualquer pessoa, independentemente do género, idade ou tamanho, “A-POC” (“A Piece Of Cloth”), lançada em 1998, com desenhos concebidos para uma única peça de tecido, e com experiências sobre pregas e plissados de muito pequena dimensão, na base da linha “Pleats Please”, de 1993, uma das mais célebres de Miyake, que se mantém no mercado.

Lançou igualmente a linha de perfumes “L’eau d’Issey”.

As suas criações foram expostas em museus como o MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o Museu de Artes e Ofícios de Paris, onde permanece representado, assim como no Victoria & Albert, em Londres, e no Museu do Design e da Moda (MUDE), em Lisboa, além do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, entre muitas outras instituições.

Miyake também criou figurinos para dança, trabalhando de perto com coreógrafos e companhias como a de Alvin Ailey, William Forsythe e o Ballet de Frankfurt.

Em 1999, entregou o controlo da marca ‘Issey Miyake’ aos associados, mas continuou ativo noutros projetos, incluindo o envolvimento, em 2007, na abertura do primeiro museu japonês dedicado exclusivamente ao design, 21_21 Design Sight (num edifício projetado propositadamente pelo arquiteto Tadao Ando), em Tóquio, que dirigiu.

Em 2009, revelou a sua história como ‘hibakusha’, sobrevivente do ataque atómico a Hiroshima, em 06 de agosto de 1945, inspirado, como afirmou, por um discurso sobre desarmamento nuclear proferido pelo então Presidente norte-americano Barack Obama.

O costureiro contou a sua história, da qual nunca tinha falado em público, ao jornal The New York Times, num artigo onde explicou que “não queria ser rotulado como um ‘designer’ sobrevivente da bomba atómica”.

Nos últimos anos, dedicou-se ao trabalho com novas gerações de criadores, no seu estúdio de Tóquio, e continuou envolvido no desenvolvimento de novos materiais como os obtidos a partir de garrafas plásticas ‘PET’ recicladas.

Criou ainda a Fundação Miyake Issey, dedicada à investigação sobre a história do ‘design’ e da moda.

Miyake realizou o seu último desfile, fora do Japão, em Paris, no passado dia 23 de junho.

Foi reconhecido com prémios como o de Arte e Filosofia de Quioto (2006), a Ordem Japonesa da Cultura (2010), o Compasso d’Oro de Itália (2014), e a Legião de Honra Francesa (2016).

Segundo o seu estúdio, Issey Miyake padecia de cancro do fígado e, à data da morte, 05 de agosto — um dia antes do 77.º aniversário do ataque a Hiroshima -, encontrava-se internado num hospital de Tóquio.

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