06 Outubro 2022, 03:31

Moscovo procura recrutar russos em fuga da guerra junto às fronteiras

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Tiblissi, 28 set 2022 (Lusa) — As longas filas de russos que procuram escapar à mobilização militar continuavam esta quarta-feira a ‘entupir’ as estradas para fora do país, enquanto Moscovo terá estabelecido gabinetes de recrutamento nas fronteiras, para intercetar alguns destes.


A Ossétia do Norte, região russa que faz fronteira com a Geórgia, decretou estado de “alerta máximo” e anunciou que comida, água, equipamentos de aquecimento e outras ajudas devem ser trazidas para aqueles que passam dias em filas.


No outro lado da fronteira, na Geórgia, voluntários também estão a mobilizar água, cobertores e outros tipos de assistência.


Aquela região russa restringiu a entrada de muitos carros de passageiros no seu território e montou um gabinete de recrutamento na fronteira de Verkhy Lars, referiram agências de notícias russas.


De acordo com o Ministério do Interior da Geórgia, cerca de 10.000 cidadãos russos estão a atravessar diariamente a fronteira.


Alguns meios de comunicação divulgaram fotos junto à fronteira, onde era visível uma carrinha preta com as palavras: gabinete de alistamento militar.


Outro gabinete deste género foi estabelecido no lado russo junto à fronteira com a Finlândia, segundo a agência de notícias russa independente Meduza.


O anúncio de Moscovo da mobilização de 300 mil reservistas, feito na semana passada, está a desencadear o êxodo de um grande número de homens russos em idade militar que se recusam a lutar na Ucrânia, alvo de uma ofensiva militar russa desde fevereiro passado.


Embora o Presidente russo, Vladimir Putin, tenha anunciado em 21 de setembro uma mobilização “parcial”, muitos russos temem que seja muito mais amplo e arbitrário.


Na Rússia surgem inúmeros relatos de homens sem formação militar e de todas as idades a receberem avisos para serem mobilizados.


Aleksandr Kamisentsev, que deixou a sua casa em Saratov e fugiu para a Geórgia, descreveu a situação no lado russo da fronteira como “muito assustadora”.


“É tudo muito assustador, lágrimas, gritos, um grande número de pessoas. Há um sentimento de que o governo não sabe como organizá-lo. Parece que eles querem fechar a fronteira, mas ao mesmo tempo têm medo de que os protestos aconteçam e deixam as pessoas saírem”, contou o russo à agência Associated Press (AP).


Manifestantes munidos de bandeiras georgianas e ucranianas e cartazes como “Russia Kills” [Rússia Mata, em português] saudaram os russos na fronteira esta quarta-feira.


Os russos têm atravessado a fronteira de carro, mota, bicicleta ou a pé.


Também há longas filas na fronteira com o Cazaquistão, que recebeu mais de 98 mil russos desde a semana passada.


A Rússia tem fronteiras terrestres com 14 países.


A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,4 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.


A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.996 civis mortos e 8.848 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.



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