22 Outubro 2021, 11:33

Movimento de cidadãos critica “centro comercial” previsto para quarteirão da Suiça em Lisboa

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 04 dez 2020 (Lusa) – O movimento de cidadãos “Lisboa Precisa” criticou hoje a criação de um novo espaço comercial no quarteirão da antiga pastelaria Suíça, defendendo um processo de reabilitação, com habitação, serviços e comércio, que “garanta a preservação da estrutura pombalina interior”.


“‘Lisboa Precisa’ opor-se-á, pelas formas que tem ao seu alcance, à concretização deste projeto para o quarteirão da Suíça e reclama um processo de reabilitação que contemple habitação, serviços e comércio, e garanta a preservação da estrutura pombalina interior daquele conjunto de imóveis”, lê-se num comunicado do movimento.


O projeto de recuperação do quarteirão da antiga pastelaria Suíça, no Rossio, que prevê a criação de um novo espaço comercial, com reabilitação das fachadas das lojas históricas, foi aprovado em 12 de novembro pela Câmara de Lisboa com os votos favoráveis do PS, do PSD e do CDS-PP, a abstenção do BE e o voto contra do PCP.


Segundo a proposta, está prevista “a instalação de quatro unidades comerciais e de uma unidade de serviços”, que ocupará a totalidade do piso em sótão, correspondente à mansarda.


O quarteirão é desde 2018 propriedade da empresa JCKL Portugal – Investimentos Imobiliários.


Na nota hoje divulgada, o movimento “Lisboa Precisa” considera que a aprovação de “um centro comercial” para o quarteirão da Suíça “é mais um exemplo a ilustrar quais os verdadeiros interesses que orientam as reais políticas que a Câmara Municipal de Lisboa continua a prosseguir em termos de urbanismo”.


“Depois da aprovação de um hotel em abril de 2009, com a justificação de que traria mais vida à Baixa e animaria o seu comércio, passou-se agora, quando o turismo ‘já não está a dar’, para mais um espaço comercial de lojas e marcas internacionais, como é costume, em mais uma machadada ao comércio tradicional e de proximidade, e sem qualquer espaço para oferta de habitação, adensando o processo de despovoamento do centro histórico”, é acrescentado.


O movimento lamenta ainda que todo o projeto esteja “ao arrepio do que está no Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa Pombalina”, no qual é defendido que os pisos superiores devem ser ocupados preferencialmente por habitação e serviços, deixando para comércio os pisos térreos.


“Sob a capa de um aparente respeito pelo património está dissimulada uma intervenção arquitetónica profundamente transformadora, que nega a preservação, não só da tipologia fundiária, como das próprias tipologias habitacionais, ou seja, nega o testemunho cultural da cidade”, acusa o movimento.


 


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