06 Dezembro 2021, 15:35

Novo álbum da fadista Teresinha Landeiro “Agora” é editado sexta-feira

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 28 abr 2021 (Lusa) – A fadista Teresinha Landeiro quer um fado que conte a “histórias dos dias, alegres ou tristes”, o que procurou no seu novo disco, “Agora”, que é editado na sexta-feira.


O álbum é apresentado na quinta-feira às 17:00 na Mesa de Frades, no bairro lisboeta de Alfama, a casa de fados que a “viu nascer e crescer para o fado”, onde canta desde os 12 anos.


Em declarações à agência Lusa, Teresinha Landeiro, de 24 anos, afirmou que a sua “profissão de fé é o fado”.


“Posso cantar, e já cantei outras coisa, posso misturar o fado com outros ritmos, mas para mim, o fado é que me preenche e há que ter-lhe muito respeitinho, saber bem até onde se pode ir, sem confusões, nem o deturpar. Fado é fado”, sentenciou.


Para a fadista, “modernizar não implica adulterar, não [se deve] nunca esquecer de onde o fado veio”.


Teresinha Landeiro reconheceu que já participou em outros projetos musicais “de fusão” com o fado, mas argumentou: “Até aí sou uma fadista que participa e canta numa roda de samba, ou com acompanhamento de jazz, mas não percamos o rumo, não é fado, é um projeto interessante, que deve ser explorado, mas fado, fado é outra coisa. Estou sempre muito atenta, temos de perceber bem o que é fado e o que é fusão, que até pode ser enriquecedor”.


“Agora” é o segundo álbum da intérprete que voltou a escolher, maioritariamente, palavras suas para cantar.


“Sinto-me mais à vontade a cantar os meus poemas, são as minhas histórias vividas, as minhas vivências, mas se canto as dos outros, torno-as minhas”, disse à Lusa.


“O que escrevi veio de algum lado, de mim, de uma experiência qualquer”, acrescentou Teresinha Landeiro que reconheceu influências da canção “Oração do Tempo”, de Caetano Veloso no seu fado “Tempo”.


Dos dez temas que fazem o alinhamento do álbum, sete são poemas seus: “Amanhã”, musicado por Pedro Castro, músico que produz e a acompanha à guitarra portuguesa, e seu parceiro nas autorias, assinando as músicas de “O Mundo”, “Batom”, “O Coração” e com o viola André Ramos, que também a acompanha no disco, assinou a música para o poema “Apenas Sombra”. “O Tempo”, letra também de Landeiro, é interpretada na melodia tradicional do Fado Tango, de Joaquim Campos. Teresinha Landeiro assina a letra e música de “Desculpa”.


Entre os autores escolhidos, assinale-se, de Jorge Rosa, “Longe Demais”, com música de Francisco José Gonçalves, um tema que foi gravado, entre outros, por Carlos Ramos, Beatriz da Conceição, uma referência da jovem Teresinha Landeiro, e também por Maria João Quadros.


Do ator e encenador Varela Silva gravou “O Meu Xaile”, com música de Adelino dos Santos, um fado do repertório de Celeste Rodrigues, fadista com quem Teresinha conviveu e muito aprendeu.


“A Celeste deu-me conselhos valiosíssimos”, contou, referindo que este tema foi-lhe proposto pelo músico João Filipe, viola de fado.


“Quando escolho um poema de outros, faço-o porque me identifico, e isso ajuda-me na interpretação”, disse.


A fadista disse à Lusa que “há um núcleo duro” de amigos cuja opinião ouve, nesse núcleo “estão sem dúvida” os pais, que sempre a apoiaram na carreira que pretende trilhar.


“O fado não é um canção qualquer, vive da intenção de cada palavra à qual temos de tentar dar o seu peso, da emoção, tem de se ter contenção, eu neste CD tentei seguir o conselho de alguém que admiro muito, o Camané, que me disse, certa noite, que ‘menos é mais’, e para não ter pressa”, disse Teresinha Landeiro que além do fadista apontou como suas referências Amália Rodrigues e também Pedro Moutinho e Hélder Moutinho.


Sobre este disco, a fadista afirmou que sentia-se “diferente da Teresa que gravou o primeiro disco [‘Namoro’, saído em 2018]”, e nesse sentido decidiu efetuar “um retiro” com os músicos e “arrumar ideias”.


“Houve um percurso, eu já não sou a mesma amadureci e queria que este disco refletisse isso”, disse.


Teresinha Landeiro realçou “o atual dinamismo quer se vive na cena fadista”, na qual pretende “interpretar um fado com luz, que aproxime todos, jovens e menos jovens”.



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