06 Dezembro 2021, 15:38

Novo projeto de Raquel André fala do poder transformador das artes na vida de cada um

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 11 Jul 2021 (Lusa) — A atriz e encenadora Raquel André aborda a relação do público com as artes, testemunha a memória dessa relação e o seu poder transformador, na “Coleção de Espectador_s”, que estreia sexta-feira, no Teatro Nacional D. Maria, em Lisboa.


Com 11 espectadores, a criadora demonstra em palco como filmes, espetáculos, peças de teatro, obras de diferentes expressões foram determinantes nas suas vidas, numa reflexão que também é um elogio aos trabalhadores das artes e uma homenagem ao teatro, como lugar de escuta do mundo.


A nova criação de Raquel André conta com 11 espectadores com idades entre os 21 e os 73 anos, e encerra o projeto “Coleção de Pessoas”, uma tetralogia iniciada em 2014, pela atriz e encenadora, que não tenciona acrescentar mais nenhuma à série, como disse à agência Lusa.


“Coleção de Espetador_s” é, segundo Raquel André, uma “viagem à memória” que põe em palco questões sobre a relação entre espectadores e artistas, sobre os lugares onde os artistas têm de estar para falar e escutar perspetivas diferentes, mas também é “uma homenagem” aos teatros.


Ao mesmo tempo, é igualmente um “lugar de escuta sobre outras vozes”, porque, para a criadora, o artista “tem também um papel importante” na perceção “de outras perspetivas sobre o mundo”. Além de que o espetador pode também “reivindicar novas vozes”.


Em “Coleção de Espetador_s”, há 11 pessoas em cena com Raquel André a dar voz às suas histórias, sobretudo histórias de filmes, espetáculos, exposições ou obras de arte que foram transformadores nas suas vidas.


Espetáculos que lhes trouxeram mensagens novas ou que os fizeram pensar de outra forma são contadas pelos 11 protagonistas, e no qual a criadora se remete para o lugar de espectadora.


Concebida como peça de teatro, “Coleção de Espetador_s” dispõe também de um ‘site’ na Internet – https://www.collectionofspectators.com/pt/ – no qual Raquel André fala da “Coleção de Pessoas”, e que é um museu vivo sobre os projetos desenvolvidos ao longo destes sete anos.


O ‘site’ reúne igualmente um conjunto de instruções que preveem a participação e, em simultâneo, um outro conjunto que permite aceder a uma sequência de arquivos, criados para a “Coleção de Espectador_s”, referentes a cada local onde o espetáculo é apresentado.


“Coleção de Amantes”, “Coleção de Colecionador_s”, “Coleção de Artistas” e “Coleção de Espectador_s” são os quatro projetos da “Coleção de Pessoas”.


“As árvores morrem de pé”, a que o espectador de 73 anos assistiu, no Teatro Nacional D. Maria II, quando tinha 13 anos, a “Malfadadas”, de Aldina Duarte, Filipe Raposo, Isabel Abreu e Miguel Loureiro, a que a jovem de 21 anos assistiu, em 2019, também neste mesmo teatro nacional, são alguns dos espectáculos desfiados pela memória dos protagonistas.


Em “Coleção de Espetador_s” Raquel André vai também provocar os espectadores que assistam à peça a “colecionarem pessoas”, como a criadora tem feito ao longo de sete anos.


Um apelo da criadora para que a assistência conheça outras pessoas e “as colecione” através de um dispositivo montado em palco que a criadora não pretende revelar de antemão.


“Coleção de Espetador_s” é, segundo Raquel André, o fim de um projeto, já que não tenciona fazer mais “Coleção de Pessoas”.


Iniciado em 2014, com “Coleção de Amantes”, o projeto comemora dez anos em 2024 e Raquel André tenciona manter as quatro coleções ativas pelo menos até esse ano.


“Sei que não vou colecionar mais nenhuma, nova. Pelo menos, por enquanto, não tenho essa perspetiva”, frisou à Lusa.


As coleções vão, porém, continuar a circular por vários teatros. Em agosto, “Coleção de Espetador_s” será representada em Bergen, na Noruega, no BIT Teatergarasjen, que é coprodutor do espetáculo. Depois, será a vez do Palácio das Artes, na Cidade da Praia, em Cabo Verde.


Em 2022, ainda em datas por confirmar, “Coleção de Espetador_s” estará em cena no Teatro da Malaposta, em Olival Basto, Odivelas, e no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.


Para Raquel André, “Coleção de Espetador_s” é também um “elogio” e uma “homenagem” às pessoas que trabalham nos teatros e que fazem um trabalho “invisível” para que possa haver espectadores.


Por isso, em cada teatro onde o espetáculo é apresentado, a criadora filma todos os seus trabalhadores, incluindo-os no arquivo de imagens que também é projetado na sala onde a peça decorre.


“O espetáculo também se constrói com histórias sobre os teatros por onde passa”, garantiu à Lusa.


“Coleção de Espetador_s”, uma criação de Raquel André com Cláudia Gaiolas, fica em cena no Teatro Nacional D. Maria II de 16 a 18 de julho, na sala Garret. A última sessão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa.


Os 11 espectadores em palco são Ana Ribeiro, André de Jesus Conceição, David Gorjão, Fátima Barreto, João Limão, Júlia Catita, Luís do Paço, Marina Preguiça, Patrícia Santos, Raquel Pedro e Tânia Martins Ramos.


Esta produção do D. Maria II e do BIT Teatergarajsen tem música de Odete, figurinos de José António Tenente, desenho de luz de Cárin Geada, desenho de som João Neves e design gráfico de Sérgio Couto.


Os horários dos espetáculos estão disponíveis na página do Teatro Nacional D. Maria II.



CP // MAG


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