10 Setembro 2022, 03:21

Gaia/Estação Litoral da Aguda: Novos projetos no âmbito da pesca artesanal, mergulho e talassoterapia orçados em mais de 7 ME

© AMÂNDIA QUEIRÓS | MUNDO ATUAL

Vocacionada para o estudo costeiro e da pesca artesanal, a Estação Litoral da Aguda (ELA), em Vila Nova de Gaia é, atualmente, um importante polo agregador de áreas como a investigação e a educação ambiental, tendo já recebido cerca de 430 mil visitantes. A estrutura – constituída por aquário, museu e área de exposições – organiza diversos programas dirigidos a todas as faixas etárias e níveis pedagógicos, encontrando-se, ainda, a desenvolver novos projetos destinados à preservação da pesca artesanal, mergulho e talassoterapia.

“Com vista à construção e prolongamento de um novo quebra-mar, estamos a desenvolver o projeto «Portinho de Pesca» de forma a atrair a presença de mais barcos e pescadores ao mar da Aguda.

A pesca artesanal corre perigo de extinção”, alerta Mike Weber, diretor da ELA, sublinhando outras vertentes que também pretende implantar, já no interior do edifício.

“A criação de um centro de mergulho, para o ensino da modalidade, e de um espaço para tratamentos terapêuticos de talassoterapia, assumem uma grande importância, quer no contexto da investigação, quer do lazer, potenciando o turismo local”, explica, ao Mundo Atual, salientando que o investimento previsto para os dois projetos ultrapassa os 7 milhões de euros.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



De acordo com o professor de Ecologia Aquática do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto (U.Porto), o centro de mergulho será constituído por uma piscina de 15 metros de profundidade, alimentada por água do mar, para que os estudantes ligados às ciências aquáticas, bem como o público em geral, possam aprender técnicas de mergulho e “praticá-las diretamente no meio marítimo natural, sempre que possível”.

Já o espaço dedicado à talassoterapia, um tratamento que se baseia na utilização das propriedades terapêuticas da água do mar, algas e lamas marinhas, seria, para o especialista, “um excelente polo turístico para a região”.

Polo de investigação ligado à U.Porto

Situada na pequena vila piscatória da Aguda, e integrada na empresa Águas de Gaia, a ELA é constituída por um aquário com cerca de 900 animais de 60 espécies, um museu com mais de dois mil objetos ligados à atividade piscatória, e área de exposições, com duas permanentes e uma temporária: «Pesculturas» agrega diversas esculturas em barro que representam a pesca, da autoria de Mike Weber, sendo que a «PesFiguras» reúne mais de 170 figuras, provenientes de 46 países. «Achados do Mar» é uma mostra temporária que expõe variados elementos encontrados ao longo da orla costeira.

A instituição tem vindo a assumir um importante papel, quer ao nível do panorama concelhio, quer no nacional e internacional. O seu programa de investigação, que integra, também, alunos do curso de ciências do meio aquático, do ICBAS, debruça-se sobre o estudo do lavagante europeu, sendo a única instituição a fazê-lo em Portugal.

“O nosso programa prevê o cultivo e a monotorização da espécie, sendo que, em breve, será publicado um artigo numa revista científica, baseado nos dados de que dispomos”, conta o responsável, ao Mundo Atual.

Com vista ao repovoamento da espécie, a ELA já lançou ao mar cerca de 450 lavagantes marcados. A intenção é de que, em caso de recaptura pela pesca, os mesmos possam ser avaliados em termos do crescimento em meio natural.

“O lavagante tem uma grande longevidade e através do tamanho conseguimos auferir a sua idade aproximada”, refere, destacando o maior e mais idoso exemplar que passou pela estação.

“O «Jorge» pesava cerca de 5,5 quilos e tinha, aproximadamente, 80 anos”, lembra. Quando morreu, “a sua carapaça foi preservada e exposta no museu e o seu corpo «reciclado», servindo de alimento à equipa”, refere o diretor, explicando que foi a melhor homenagem que poderiam ter prestado à mascote.

© Amândia Queirós | Mundo Atual

Educação ambiental e pedagógica

Disponibilizando serviços para todas as faixas etárias e níveis de ensino, que vão desde o pré-escolar às universidades seniores, a ELA conta com programas diversificados no âmbito da educação ambiental.

Ao nível do ensino pré-escolar, destacam-se sessões didáticas de contos, de recolha de elementos de origem marinha nas praias e «Uma noite no Fundo do Mar», onde as crianças vivenciam uma nova e divertida experiência de descoberta da Natureza, que incentiva o seu espírito aventureiro.

Os 2.º e 3.º ciclos, as universidades juniores e seniores, bem como os alunos do ensino superior e público em geral, contam, também, com uma vasta programação no âmbito da ecologia marítima, com diversas ações «indoor» e outras realizadas no meio natural.

Sem comentários

deixar um comentário