24 Janeiro 2022, 10:59

Óbito/Desmond Tutu: Presidente moçambicano considera perda de “humano extraordinário”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 26 dez 2021 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, considerou hoje uma “grande perda” a morte do arcebispo emérito sul-africano e Nobel da Paz de 1984, Desmond Tutu, classificando-o como um “humano extraordinário” que dedicou a vida para lutar contra o apartheid.


“Quero endereçar os meus sinceros pêsames ao povo, governo sul-africano e em particular ao meu homólogo e irmão, Presidente Ramaphosa, assim como ao povo africano, por esta grande perda para África Austral e para toda África em geral”, disse Filipe Nyusi, na sua página da rede social Facebook.


Para Nyusi, morreu um “defensor dos direitos dos oprimidos”, que se dedicou à reconciliação entre os sul-africanos, “mostrando a necessidade de união e construção de uma nação baseada na diversidade”.


O arcebispo anglicano estava debilitado há vários meses, durante os quais não falou em público, mas ainda cumprimentava os jornalistas que acompanhavam cada uma das suas saídas recentes, como quando foi tomar a sua vacina contra a covid-19 num hospital ou quando celebrou os seus 90 anos em outubro.


Desmond Tutu ganhou notoriedade durante as piores horas do regime racista na África do Sul, quando organizava marchas pacíficas contra a segregação, enquanto sacerdote, pedindo sanções internacionais contra o regime branco em Pretória.


Com o advento da democracia, 10 anos depois, o homem que deu à África do Sul o nome de “nação arco-íris” presidiu à Comissão de Verdade e Reconciliação criada com o objetivo de virar a página sobre o ódio racial, mas as suas esperanças foram rapidamente frustradas. A maioria negra adquiriu o direito de voto, mas continua em grande parte pobre.


Depois do combate ao apartheid, Tutu empenhou-se na reconciliação do seu país e na defesa dos direitos humanos.


Contra a hierarquia da igreja anglicana, defendeu os homossexuais e o direito ao aborto, tendo nos últimos anos aberto como nova frente de combate o direito ao suicídio assistido.


Tutu criticou também os excessos do Governo do seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), nomeadamente os erros do ex-presidente Thabo Mbeki na luta contra a sida, e nem o seu amigo Nelson Mandela escapou às suas críticas.


Em 2013 prometeu não votar mais no partido que triunfou sobre o apartheid novamente.


Desmond Tutu, nascido numa pequena cidade mineira a sudoeste de Joanesburgo, sofreu de poliomielite em criança, quis ser médico, mas desistiu por falta de meios e acabou por ser professor, tendo-se demitido para protestar contra a educação inferior reservada aos negros.


Acabou por entrar no seminário e foi ordenado sacerdote aos 30 anos.


Estudou e ensinou no Reino Unido e no Lesoto, estabelecendo-se em Joanesburgo em 1975, antes de ser nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e chefe da comunidade anglicana no seu país.


Casou em 1955 com Leah, com quem teve quatro filhos.


Apesar do cancro da próstata diagnosticado em 1997 e de vários internamentos em hospitais, só muito gradualmente se retirou da vida pública, defendendo até ao fim o sonho de uma África do Sul multirracial e igualitária.



 LYN (MSF/RCS) // ACL


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário