05 Outubro 2022, 13:54

Óbito/Sampaio: João Soares manifesta “profunda tristeza” e recorda tempos na CML

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 10 set 2021 (Lusa) – O antigo ministro João Soares manifestou hoje “profunda tristeza” pela morte de Jorge Sampaio e lembrou os anos em que esteve ao seu lado na Câmara de Lisboa, salientando que era um homem “muito inteligente” e “do debate”.


Em declarações à agência Lusa, o socialista manifestou “profunda tristeza pela notícia da morte do doutor Jorge Sampaio” e “respeito pela sua memória”.


“Eu tive o privilégio de ser convidado por ele para ser o seu número dois na lista conjunta com o Partido Comunista e que ganhou as eleições autárquicas de 1989”, recordou o antigo ministro da Cultura, apontando que o antigo Presidente da República “teve a coragem de fazer esse entendimento à esquerda e teve a coragem de assumir a Câmara Municipal de Lisboa num quadro que foi difícil mas marcante para a cidade”.


João Soares salientou também que teve “o privilégio, a honra e o prazer de lhe suceder na liderança da Câmara Municipal de Lisboa e depois de renovar essa coligação à esquerda nas eleições que se seguiram, seguindo muito daquilo que tinha sido a orientação de Jorge Sampaio”.


“Jorge Sampaio era um homem de debate, um homem muito culto, com uma cultura muito diversificada, era um homem muito inteligente e era um homem que gostava muito do debate, do debate contraditório, talvez porque foi um grande advogado de barra”, sublinhou.


E considerou também que Sampaio “travava todos os combates que eram necessários e sempre com a maior desenvoltura e ao mesmo tempo com a maior elegância”.


“Não era propriamente um homem de decisões rápidas mas era um homem do debate contraditório e da controvérsia, e foi para mim particularmente pedagógico ter estado alguns anos a trabalhar junto dele, como seu número dois na lista do Partido Socialista”, disse.


João Soares destacou igualmente “a vontade” que Jorge Sampaio tinha “de poder resolver definitivamente problemas que marcavam Lisboa de uma forma particularmente negativa”.


À Lusa, o socialista recordou ainda que conheceu “Jorge Sampaio muito antes do 25 de Abril” e afirmou que “ele foi no início dos anos 60 uma das figuras mais relevantes na oposição estudantil à ditadura”.


Soares considerou que o ex-chefe de Estado continuou um “ativo combatente contra a ditadura”, como “advogado de muitos presos políticos” e também como “ativista cívico e político ao longo da sua vida durante a ditadura”.


João Soares lembrou ainda o papel de Sampaio “como precursor da corrente do MES, do Movimento de Esquerda Socialista” e a adesão ao PS, em fevereiro de 1978, “pela mão” do seu pai, Mário Soares, que na altura liderava o partido.


O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.


Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.


Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).


Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.


Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.



FM // ACL


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