03 Dezembro 2021, 04:29

Obras do Mercado Time Out no Porto só devem arrancar no início de 2022

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

As obras do Mercado Time Out para a ala sul da estação de São Bento, no Porto, que estavam previstas iniciar em outubro, devem arrancar no início de 2022 e prolongar-se por seis meses.

“As obras na Ala Norte da Estação de São Bento para a mudança dos serviços da CP atualmente instalados na Ala Sul já estão em curso, prevendo-se a sua conclusão até ao final do ano”, indicou hoje a Infraestruturas de Portugal (IP), detentora da Estação de São Bento.

A IP adiantou ainda que as obras da Time Out na ala sul deverão arrancar no início de 2022, “com uma duração que se afigura poder prolongar-se por um período de seis meses”.

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O arranque das obras na ala sul da Estação de São Bento chegou a estar previsto para o início de outubro. Em maio, a Infraestruturas de Portugal dava conta que estavam já a decorrer os trabalhos preparatórios para libertar o espaço.

“Já se iniciaram os trabalhos preparatórios que vão permitir libertar o espaço que vai ser objeto desta subconcessão, estimando-se, por isso, nesta data, que as obras deverão ter início no início de outubro próximo”, indicou à data aquela entidade.

O projeto do Mercado Time Out Porto para a ala sul da estação de São Bento inclui espaços de restauração e bares e prevê ainda construção de uma torre de 21 metros, autoria de Souto Moura, considerada “intrusiva” pela Unesco.

Em abril de 2020, o presidente da Time Out Market, João Cepeda, disse “confiar” que a obra pudesse avançar no último trimestre do ano, o que acabou por não se verificar.

À data, João Cepeda explicou que depois da aprovação do projeto de arquitetura, seguia-se a apresentação dos projetos de especialidade, o que previa que pudesse acontecer nos dois meses seguintes.

Num relatório conhecido em janeiro desse ano, o Mercado Time Out surge como uma das 14 obras ou projetos em andamento ou realizados que põe em risco o valor patrimonial do Centro Histórico do Porto classificado como património mundial desde 1996, incluído no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo.

À data, numa reação ao relatório, a Direção-geral do Património Cultural (DGPC) – que emitiu, apesar das críticas do organismo consultivo da Unesco para ao património, despacho favorável ao projeto, condicionado a acompanhamento arqueológico – afirmava que não se rever na “posição crítica” do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – ICOMOS, reiterando a sua aprovação ao projeto da Time Out para São Bento.

Já a autarquia disse discordar das conclusões do relatório, afirmando que estas resultam da sua “profunda ignorância sobre o património”.

Questionada em maio deste ano, sobre as medidas que foram tomadas para garantir que o Mercado Time Out preserva o património da estação, a IP referiu apenas que o projeto “foi devidamente aprovado pelas entidades com jurisdição nesta matéria, acautelando, por isso, a preservação do património da estação”.

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