27 Setembro 2021, 23:50

Operadores e transportadoras criticam despromoção de Portugal e receiam impacto no turismo

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Operadores turísticos e dirigentes de companhias aéreas criticaram o Governo britânico por retirar Portugal da “lista verde” de viagens internacionais, receando que o setor do turismo continue sujeito a restrições da pandemia covid-19.

“Este último anúncio é mais um retrocesso para o nosso setor”, lamentou o diretor da operadora TUI UK, Andrew Flintham, avisando que “vai causar danos incalculáveis à confiança dos clientes”.

O presidente-executivo da transportadora easyJet, Johan Lundgren, considerou “chocante” a decisão de adicionar Portugal à lista amarela e “uma grande desilusão para aqueles que estão atualmente em Portugal e para aqueles que reservaram um encontro com os seus entes queridos, ou uma merecida pausa neste verão”.

“Com taxas [de infeção] portuguesas semelhantes às do Reino Unido, simplesmente não se justifica pela ciência”, acrescentou.

Para o presidente-executivo da Virgin Atlantic, Shai Weiss, o sistema de semáforo criado pelo Governo britânico para classificar os países de acordo com o risco é claro nem dá confiança aos consumidores e empresas.

“Ainda não vimos orientações claras e transparentes sobre a metodologia e os dados nos quais o governo está a basear estas decisões. Não devia ser um segredo de Estado”, referiu.

Na sua opinião, “esta abordagem excessivamente cautelosa está a falhar em colher os dividendos do programa de vacinação bem-sucedido do Reino Unido”.

Portugal, incluindo os arquipélagos da Madeira e Açores, vai deixar a “lista verde” de viagens internacionais do Governo britânico na terça-feira às 04:00, anunciou o Ministério dos Transportes britânico.

Segundo o Ministério, Portugal passa para a “lista amarela” para “salvaguardar a saúde pública contra variantes preocupantes” e proteger o programa de vacinação britânico.

Num comunicado, refere que, de acordo com a base de dados europeia GISAID, foram identificados em Portugal 68 casos da variante  B1.617.2, identificada pela primeira vez na Índia, denominada pela Organização Mundial de Saúde por variante Delta, “com uma mutação adicional potencialmente prejudicial”.

A direção geral de Saúde de Inglaterra (Public Health England) está a investigar esta variante e mutação para perceber melhor se ela pode ser mais transmissível e mais resistente às vacinas.

O Governo britânico diz também que a taxa de positividade dos testes ao coronavírus em Portugal é quase o dobro daquela registada há cerca de um mês atrás, ultrapassando a média nacional no Reino Unido.

Os países na “lista amarela” estão sujeitos a restrições mais apertadas, nomeadamente uma quarentena de 10 dias na chegada ao Reino Unido e dois testes PCR, no segundo e oitavo dia, como já acontece com a maioria dos países europeus, como Espanha, França e Grécia.

A “lista verde” isenta de quarentena os viajantes que cheguem a território britânico, enquanto a “lista vermelha” exige quarentena de 10 dias num hotel designado, além de dois testes PCR.

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