13 Maio 2022, 19:20

Oposição moçambicana acusa partido no poder de incendiar casas e roubar animais

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Beira, Moçambique, 06 mai 2022 (Lusa) – A Renamo, principal partido da oposição moçambicana, acusou membros da Frelimo, no poder, de incendiarem casas e roubarem animais de criação de membros da oposição, na província de Sofala, centro do país, alertando que a paz corre perigo.


“Desloquei-me aos distritos de Nhamatanda e Gorongosa e os nossos membros não hesitaram em afirmar que [membros da Frelimo] queimaram as suas casas e roubaram os seus animais de criação”, disse Geraldo Carvalho, chefe regional do centro para a implantação da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).


Carvalho, que já foi deputado pela Renamo e guerrilheiro do braço armado do partido, falava na quinta-feira, na cidade da Beira, capital da província de Sofala, à margem das festividades do dia da Liga Juvenil da organização.


O incêndio de casas e roubo de bens nos distritos de Nhamatanda e Gorongosa forçou a fuga de membros da Renamo para as matas, declarou.


“Alguns fugiram em debandada e até à minha chegada [aos dois distritos] encontravam-se no mato”, referiu Geraldo Carvalho, classificando a conduta dos membros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) de “terrorismo político”.


O político da oposição referiu que a perseguição aos membros do seu partido também aconteceu no povoado de Nhanamamba, distrito de Barué, província de Manica, também na região centro, onde um grupo de membros da Frelimo impediu simpatizantes da Renamo de participar numa reunião do partido, a mando do secretário do comité local da formação política no poder.


Geraldo Carvalho avançou que, ainda em Barué, um líder comunitário e um secretário da zona ameaçaram expulsar das suas casas antigos guerrilheiros do principal partido da oposição, caso não se filiassem na Frelimo num prazo de 48 horas, sendo obrigados a apresentar-se na sede deste partido naquela área.


O dirigente assinalou que ações de hostilidade contra membros do seu partido também se têm verificado na província de Tete, centro de Moçambique.


Face à situação, considerou que os ataques aos membros da Renamo são uma ameaça à paz e ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), que abrange os antigos guerrilheiros do principal partido da oposição.


“Hoje queimam as nossas casas, impedem-nos de realizar reuniões políticas, perseguem os nossos membros e ex-guerrilheiros. Será que estamos a cultivar o clima de paz?”, questionou.


Geraldo Carvalho acusou a polícia de passividade perante atos de violência contra membros da oposição, observando que “estão enganados” os que acreditam que a Renamo não está em condições de retaliar.


Ouvido pela Lusa, o chefe provincial para a Mobilização e Propaganda da Frelimo, Manuel Severino, considerou “sem sentido” as acusações da Renamo, acusando o principal partido da oposição de vitimização “recorrente” quando o país se aproxima de ciclos eleitorais.


“É estranho que isso aconteça nos pleitos eleitorais, é um discurso recorrente, quando a Renamo não está preparada para angariar mais membros”, declarou Severino.


O político do partido no poder referiu ainda que a oposição pretende “distrair a opinião pública e o povo” do foco nas ações de desenvolvimento social e económico do país.


Por sua vez, o porta-voz da polícia na província de Sofala, Dércio Chacate, disse à Lusa desconhecer as alegações da Renamo, remetendo esclarecimentos sobre o assunto para uma outra ocasião.


“Não tenho conhecimento nenhum” sobre as acusações feitas pelo principal partido da oposição, afirmou Chacate.


Moçambique aproxima-se de um novo ciclo eleitoral, que começa com a realização de eleições autárquicas em 2023 e gerais (presidenciais e legislativas) em 2024, sendo períodos sistematicamente marcados por violência política.



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