29 Janeiro 2022, 00:40

Organizações humanitárias suspedem atividades após ataque na Etiópia – ONU

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Nairobi, 09 jan 2022 (Lusa) – As organizações humanitárias suspenderam as suas ações no Noroeste da Etiópia, anunciou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU), depois de um ataque aéreo sobre um campo de refugiados ter matado pelo menos 56 pessoas.


“Parceiros humanitários suspenderam atividades na região devido a ameaças contínuas de ataques de ‘drones’ [aviões não tripulados]”, disse à agência France-Presse o gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), acrescentando que o ataque realizado na sexta-feira na cidade de Dedébit “resultou em dezenas de baixas civis, incluindo mortes”.


Segundo a ONU, a falta de bens essenciais, nomeadamente material médico e combustível, dificulta a resposta aos feridos e quase destruiu o sistema de saúde naquela região.


“A intensificação dos ataques aéreos é alarmante e mais uma vez lembramos a todas as partes do conflito que devem respeitar as suas obrigações relativas ao Direito Internacional Humanitário”, acrescentou a ONU.


O ataque aéreo contra um campo de refugiados na região etíope de Tigré matou pelo menos 56 pessoas, indicou no sábado um porta-voz dos rebeldes, mas tal não foi ainda confirmado pelas autoridades oficiais, tendo em conta as restrições de acesso e as comunicações cortadas na região.


Getachew Reda, porta-voz do partido Frente de Libertação do Povo do Tigré, afirmou na rede social Twitter que o ataque com um ‘drone’ contra o campo de refugiados situado na cidade de Dedébit “custou a vida a 56 civis inocentes até ao momento”.


À AFP, um responsável do hospital principal de Mekele, capital de Tigré, disse que o hospital da cidade de Shire, para onde as vítimas foram transportadas, contabilizou 55 mortos e 126 feridos.


O porta-voz dos rebeldes não precisou quando ocorreu o ataque aéreo ocorreu.


A Frente de Libertação do Povo do Tigré envolveu-se, em novembro de 2020, num conflito com as forças leais ao primeiro-ministro etíope, que provocou milhares de mortos e uma grave crise humanitária. Seis milhões de habitantes ficaram sem acesso a bens de primeira necessidade devido a bloqueios à ajuda humanitária.


O conflito na Etiópia mudou, no final de dezembro passado, quando as forças rebeldes que lutavam contra o Governo se retiraram para a região de Tigré depois de se aproximarem da capital, Adis Abeba. Uma ofensiva militar apoiada por ‘drones’ fê-los recuar.


Apesar de os combates terem abrandado, os rebeldes acusam o Governo de continuar com ataques com ‘drones’ à região.


Na sexta-feira, o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, emitiu uma mensagem de reconciliação após mais de um ano de guerra.


No mesmo dia, o Governo anunciou uma amnistia para alguns dos presos políticos, incluindo altos responsáveis da Frente de Libertação do Povo do Tigré.


Segundo o Ministério da Justiça, a amnistia visa “tornar bem-sucedido e inclusivo o próximo diálogo nacional”.


Em dezembro, os deputados aprovaram um projeto de lei para criar uma comissão para o diálogo nacional, sob pressão internacional para negociações com vista ao fim da guerra.



FCC (ER) // PAL


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