05 Fevereiro 2023, 06:51

Os sonhos não se param, parando autocarros- João Paulo Silva

Professor

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E posso, por isso dizer que ninguém sente o que Nós sentimos quando os olhos dos nossos alunos brilham. Essa é a nossa Magia, aquela que não se explica. Sente-se.

A Escola Pública deu-me tudo.

Aluno da Escola Pública da Ponte ao Cerco, de Gondomar à Faculdade.

Para profissão, reconhecendo o meu olhar parcial, escolhi a melhor de todas – Professor.

E, quase trinta anos depois, tenho a certeza de que escolhi bem.

Amo o que faço.

E posso, por isso dizer que ninguém sente o que Nós sentimos quando os olhos dos nossos alunos brilham. Essa é a nossa Magia, aquela que não se explica. Sente-se.

E é de sentimentos que vos quero falar.

Nos últimos vinte anos sentimos desprezo, sentimos falta de respeito.

Muitos abandonaram a profissão à porta de entrada, outros fugiram enquanto foi tempo.

O diagnóstico está feito e o que tem sido dito e escrito nas últimas semanas, com mais ou menos sal, corresponde no essencial ao que todos sentimos – falta de Respeito.

E não foi a proposta de concursos. Foi e é muito mais que isso.

Há sempre uma sensação de que da parte do Nosso maior responsável, o Ministro da Educação, nunca somos vistos como o elemento central da sua ação. Somos O problema.

Quando as Greves começaram em dezembro a ideia geral era a de que os Professores eram uns imbecis e que se deixavam instrumentalizar pelos sindicatos. Desta vez não era a comunista FENPROF, era outro o protagonista.

Entretanto, as professoras e os professores aderiram de forma absolutamente surpreendente à forma de luta escolhida. A FNE desapareceu do palco e isso parece que nunca incomoda ninguém, nem tão pouco o facto do seu líder o ser há mais tempo que outros líderes sindicais. Será que é por ser do PSD?

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A FENPROF e outros sindicatos avançaram com as suas lutas, reconhecendo tardiamente a mobilização que surgiu da base (escolas).

E, de greve em greve, chegamos a uma Marcha pela Escola Pública a realizar, hoje, sábado, em Lisboa.

São milhares as professoras e os professores que estão a caminho de Lisboa e, de forma surpreendente, as forças de segurança entendem que é importante validar a segurança de quem viaja.

A presença nas ruas de Lisboa é a afirmação de um sonho. Podemos concordar ou discordar das reivindicações, de achar que isto ou aquilo exige dinheiro que o país não tem. Podemos tudo.

Mas, a caminho de Lisboa estão pessoas que têm um sonho para a Escola Pública.

E esse sonho, lamento, não se vai parar com ações como as das forças de segurança que estão a parar autocarros e a ver mochilas dos passageiros.

A Escola Pública não merecia isto.

A democracia e o país não podem aceitar isto.

É uma vergonha e uma vergonha não vai parar um sonho.

Porque parar autocarros não é o mesmo que parar um sonho.

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