26 Janeiro 2022, 15:26

Partido no poder perde espaço nas eleições locais na Argélia e independentes crescem

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Argel, 30 nov 2021 (Lusa) — A Frente de Libertação Nacional (FLN), partido no poder na Argélia, obteve uma vitória curta nas eleições provinciais e municipais de sábado, que ficaram marcadas por nova demonstração de força dos candidatos independentes, segundo resultados provisórios.


Os resultados hoje divulgados indicam que o ex-partido único conquistou 5.978 lugares a nível nacional e maiorias absolutas em 124 dos 1.541 municípios do país.


A FLN perdeu, desta forma, a maioria absoluta em 479 dos 603 municípios que controlava no mandato anterior, de acordo com os dados divulgados pelo presidente da Comissão Eleitoral Independente para as Eleições (ANIE), Mohamad Chafri.


No entanto, manteve uma confortável maioria relativa em 552 municípios, onde pode governar com o apoio de aliados, como a União Nacional Democrática (RND).


O RND conquistou 4.584 lugares, obteve maioria absoluta em 58 municípios e maiorias relativas em 331.


Em terceiro lugar surgem candidatos independentes, com um total de 4.430 lugares conquistados e maiorias absolutas em 91 municípios, o que demonstra o avanço alcançado já nas eleições legislativas de junho, onde tinham conquistado o segundo lugar, apenas atrás da FLN.


A Frente das Forças Socialistas (FFS), o mais antigo partido da oposição, garantiu maiorias absolutas em 47 municípios, e maiorias relativas em 65.


O Governo apresentava as eleições como o último passo para completar o processo de construção de instituições estatais após a demissão em 2019 do controverso presidente Abdelaziz Bouteflika, forçado por protestos e manobras em massa por uma grande parte do exército, a instituição que dominou o país desde a independência da França em 1962.


A repressão pelo Governo do movimento de protesto popular conhecido como “Hirak” multiplicou o desinteresse da população, que há anos sofre com uma crise económica e social aguda que, entre outros efeitos, tem alimentado a migração irregular para a Europa.


Atualmente, os argelinos são a nacionalidade mais numerosa entre aqueles que se aventuram através do Mediterrâneo em jangadas precárias fretadas por máfias locais, em direcção a Espanha.


Os argelinos foram chamados no sábado às urnas para eleger os membros das assembleias populares comunais (APC) e das assembleias populares das ‘wilayas’ (APW, departamentais), depois de uma campanha que ficou marcada pelos apelos da oposição ao boicote eleitoral.


Nas APW, a FLN ficou em primeiro lugar com 471 lugares em 25 dos 58 departamentos do país, mas com uma maioria relativa e seguida de perto pelos candidatos independentes que asseguraram 443 lugares em 10 ‘wilayas’. O RND obteve 336 lugares em 13 ‘wilayas’.


A taxa de participação nestas eleições, onde foram chamados a votar cerca de 24 milhões de argelinos, foi de cerca de 35%.


Este foi um aumento significativo em comparação com a participação nas eleições legislativas de junho, quando apenas 23% dos inscritos votaram.


 


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