04 Fevereiro 2023, 08:03

Pedagogia acima dos objetivos desportivos ao longo de 40 anos

Filipa Júlio Administrator

Colégio de Gaia
Mafamude

Falar sobre andebol de formação, no setor feminino, é falar do Colégio de Gaia. Implementada em 1977, no período pós-25 de Abril, quando as escolas passaram a ser mistas, a modalidade escolhida pelo professor de Educação Física, Jorge Tormenta, para dar oportunidade às raparigas de praticarem desporto, não só «pegou de estaca», como cresceu, ganhou dimensão e nunca mais perdeu fulgor.

Aberto também a praticantes externas à vida académica do Colégio, o andebol movimenta, atualmente, cerca de 120 atletas num total de sete equipas, desde os bambis às seniores.

Na memória, antiga e recente, muitos títulos, muitas alegrias.

“São 40 anos”, diz, num orgulho prolongado, ao Mundo Atual, o professor Jorge Tormenta, para justificar, de seguida, a razão de uma estabilidade que parece perpétua.

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As equipas são constituídas maioritariamente por alunos do Colégio

“Nunca demos um passo maior do que a perna e os diretores sempre acompanharam com grande empenho o desenvolvimento da modalidade. Sempre na perspetiva de Educação pelo Desporto, mantendo-se inalterável a supremacia da pedagogia sobre os objetivos desportivos”, frisa.

Nessa mesma linha, enquadra-se o facto das “equipas serem alimentadas, predominantemente, com atletas dos escalões jovens, também eles vencedores”.
O resultado está plasmado na equipa sénior, que entrou na Primeira Divisão, mantendo-se sempre no grupo das cinco melhores a nível nacional, até hoje.

“O ensino básico era muito populoso no Colégio, na altura, pelo que o recrutamento para o andebol feminino aconteceu de modo natural. Até porque havia uma grande dinâmica de encontros concentrados em vários dias, o que permitia que muitas raparigas saíssem de casa pela primeira vez”, conta.

A evolução das equipas no âmbito do desporto escolar começou a ser cada vez mais evidente, surgindo a necessidade de procurar “o desporto federado, mais competitivo”. A conquista de títulos foi uma consequência natural de um percurso de “sucesso”, assente também, segundo Jorge Tormenta, dos excelentes resultados académicos alcançados pelas alunas, mesmo ao nível da Universidade.

Enquanto o professor Jorge Tormenta se preocupa com a sustentabilidade económica, Paula Castro concentra o ideal do clube no que respeita à área técnica. Seguem juntos nesta aventura há décadas e constituem um dos pilares mais fortes do Colégio de Gaia.

“Criamos metas e temos uma estrutura por trás que ajuda muito. Isso faz com que seja possível colocar objetivos ano a ano, que conseguimos ultrapassar, com mais ou menos dificuldade”, admite ao Mundo Atual.

“Temos uma afinidade de ideias que facilita, de facto, todo o trabalho. A estabilidade das funções permite uma avaliação constante do que se faz, no sentido de melhorar”, refere Jorge Tormenta, corroborado por Paula Castro: “Mesmo quando não ganhamos, andamos sempre a lutar pelo melhor possível. E não há aquela pressão de despedimento, nos casos das derrotas”.

Os vários títulos conquistados são a prova do sucesso da formação

NOME DO CLUBE: Colégio de Gaia

FREGUESIA: Mafamude

ANO DE FUNDAÇÃO: 1977

MODALIDADES: ANDEBOL FEMININO

SEDE: R. Pádua Correia 166

PAVILHÃO: Colégio de Gaia

NÚMERO DE ATLETAS: 120

TÍTULOS:

Nacionais de infantis/Festival: 2000/01; 199/2000; Co-campeões: 2003/04; 2002/03; 2001/2002.

Nacionais de Iniciadas: 1989/1990; 1999/2000; 2004/2005; Co campeões: 2000/01; 2001/2002 e 2002/03.

Juvenis: 1995/96; 2015/2016; 2016/17; Campeões europeus FISEC: 2003/04; 2004/05; 1994/95.

Juniores: Nacional: 2004/05; 2007/2008; 2015/16; 2016/17.

Seniores: Campeões nacionais de andebol de praia: 1996/97; 1997/98 e 2000/01; Taças de Portugal: 1997/98; 1998/99; 2000/01; 2016/17. SuperTaça 1991/92; 1997/98. Nacional: 1990/91; 2016/2018 e 2018/2019.

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