16 Setembro 2021, 20:25

Pedro Calapez e André Gomes cruzam olhares da pintura e fotografia em 80 obras inéditas

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 15 jun 2021 (Lusa) – Os artistas Pedro Calapez e André Gomes cruzam perspetivas de fotografia e pintura num “encontro” de diferenças e afinidades, materializado numa exposição no Museu Berardo, em Lisboa, que é inaugurada na quarta-feira, com cerca de 80 obras inéditas.


“Seja dia ou seja noite, pouco importa” é o título escolhido pelos artistas para a exposição, com curadoria de ambos, fruto de um desafio que lhes foi apresentado pelo Museu Coleção Berardo, em 2017, e que se materializou em quase 80 obras, cerca de 40 fotografias e 40 pinturas de cada um dos artistas, cuja carreira se cruzou por amizade.


“Há coisas em que nos entendemos com o olhar, sem palavras. Houve consultas mútuas e eu ía vendo o material que o André [Gomes] estava a desenvolver. Estas fotografias são autênticas construções de milhares de histórias que lhe passam pela cabeça enquanto eu ia fazendo as minhas pinturas”, explicou Pedro Calapez no início da visita de imprensa.


O princípio foi “que cada um criaria o que queria, criar do nada”. “Nós temos uma relação com a História, com a vida, com os outros, com o que se vê mais próximo ou mais longe, mas é sempre uma relação presente, validada”, acrescentou o artista.


“Ambos nos emocionámos um com o outro, com o trabalho de cada um”, disse ainda Pedro Calapez sobre as obras de ambos os autores, da mesma geração, nascidos nos anos 1950.


André Gomes disse à agência Lusa que todos os trabalhos são inéditos e criados propositadamente para este projeto, durante o ano do confinamento da pandemia, em 2020.


A distinção entre ambas as obras – além da fotografia e da pintura – são a dimensão e séries, próprias de cada artista, com a moldura preta constante nas obras de André Gomes, e a moldura branca para as obras de pintura de Pedro Calapez.


Pintura e fotografia convivem nas salas reservadas a esta mostra, num diálogo com múltiplas interpretações, “abertas propositadamente ao olhar do público”.


A exposição ensaia um cruzamento entre os olhares e meios de expressão destes dois artistas, no seguimento de uma longa cumplicidade relativa ao trabalho individual de cada um, ambos “em tudo diferentes, sem que algo aparentemente os aproxime, mas semelhantes em afinidades e nas inquietações”, sublinhou a diretora artística do Museu Berardo, Rita Lougares, também curadora.


Pedro Calapez tem percorrido um caminho mais no sentido da abstração e André Gomes na figuração, mas a diretora do museu considerou que ambos “olham para o mundo de formas diferentes, mas complementares”, pelo que decidiu desafiá-los a criar uma exposição com obras que constituíssem um “ponto de encontro” dos dois.


O título — referenciando poemas de John Milton -, revela a essência da dualidade do eu, “confirmando a autonomia da criatividade na contradição de diferentes modos de expressão”, segundo os curadores.


Para André Gomes, o título “revela uma aproximação entre a fotografia e a pintura”, baseada numa “rigorosa geometria espacial de montagem” das obras com o universo dos dois autores intensamente presente nas salas.


Pedro Calapez, nascido em Lisboa, em 1953, estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e começou a participar em exposições nos anos 1970, tendo realizado a sua primeira mostra individual em 1982.


O seu trabalho tem sido mostrado individualmente em diversas galerias e museus tanto em Portugal como no estrangeiro, nomeadamente “Histórias de objetos”, Casa de la Cittá, em Roma, Itália, “Memória involuntária”, no Museu do Chiado, Lisboa (1996), Campo de Sombras, Fundació Pilar e Joan Miró, Maiorca (1997) e “Obras escolhidas 1992–2004”, Centro de Arte Moderna — Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2004).


Nas diversas mostras coletivas, destaca-se a sua participação nas Bienais de Veneza (1986) e de São Paulo (1987 e 1991).


André Gomes, nascido em Lisboa, em 1951, artista plástico e ator, licenciado em Filosofia, apresentou pela primeira vez os seus trabalhos fotográficos em 1977, na exposição “Alternativa Zero”, organizada por Ernesto de Sousa, e expõe com regularidade desde então.


Em 2008 foi nomeado para o Prémio BESPhoto, e está representado em diversas coleções particulares e em instituições nacionais, entre as quais o Museu de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação EDP, Fundação Elídio Pinho, Centro Português de Fotografia, Instituto Camões, Museu de Arte Contemporânea do Funchal, entre outras.


Como ator, participou nos filmes realizados por Noronha da Costa – “Dom Jaime ou a Noite Portuguesa” (1974) – e por João Botelho – “Conversa Acabada”, (1981) -, e em trabalhos com realizadores nacionais e estrangeiros, tais como António-Pedro Vasconcelos, José Fonseca e Costa e Raoul Ruiz.


No teatro, o seu papel mais relevante foi o do poeta Pablo Neruda, na peça “O Carteiro de Neruda”, encenada por Joaquim Benite (1997), e regista um trabalho regular com a Companhia de Teatro de Almada.


No historial de exposições individuais, encontram-se “Incandescência das Sombras”, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, “Vozes Interiores”, na Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, e “A Sesta de um Fauno”, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, também em Lisboa.


“Seja dia ou seja noite pouco importa”, abre ao público na quarta-feira e ficará patente até 17 de outubro deste ano, no Museu Coleção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.



AG // MAG


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