11 Agosto 2022, 03:06

“Percurso de trabalho, foco, garra e compromisso” – Miguel Laranjeiro

Filipa Júlio Administrator

Entrevista a:

Miguel Laranjeiro
Presidente da Federação de Andebol de Portugal

“Uma aposta ganha” nas dimensões organizativa e desportiva, é como o presidente da Federação de Andebol de Portugal, Miguel Laranjeiro, classifica, em jeito de balanço feito ao Mundo Atual, o Europeu de Sub-20 realizado em Portugal. Terminado este “sucesso”, o olhar aponta para os Europeus e Mundiais de andebol adaptado, a ter lugar no nosso País, em Novembro: “O objetivo da Federação é estar nos grandes palcos e organizar grandes palcos”.

O que dizer desta Seleção de Sub-20 que fez vibrar os pavilhões de Gaia, Gondomar e Matosinhos?
É um percurso de trabalho, foco, garra e compromisso destes atletas que ficou absolutamente plasmado neste Europeu de Sub-20, onde participaram as melhores equipas europeias, as melhores seleções. Perante países com mais atletas e mais apoios, Portugal soube apresentar o seu andebol ao mais altíssimo nível.
Por isso, creio que todos os atletas e a equipa técnica estão de parabéns. O público foi extraordinário, pois aderiu massivamente, o que também é importante.
Acredito que todos os que gostam da modalidade, e do desporto em geral, sentiram-se bem quer com a realização do Europeu, quer com a prestação da Seleção.

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A decisão de organizar este Europeu, em Portugal, foi uma aposta ganha?
Quando decidimos candidatar-nos à organização desta que é a segunda prova mais importante na vertente masculina, tínhamos dois objetivos: um desportivo e outro organizativo.
Sabíamos da valia dos atletas, já com grandes prestações noutros escalões, e que se tratava de uma seleção de grande gabarito. Por outro lado, consideramos importante organizar eventos desta dimensão e qualidade, com os quais todos crescemos e aprendemos. Foi uma aposta ganha nas duas dimensões. Agradecemos à Câmara de Gaia, Gondomar e Matosinhos, a disponibilidade, apoio e presença. A seleção ficou no Centro de Alto Rendimento de Gaia, onde recebeu um tratamento excecional, e o staff das federações portuguesa e europeia souberam dar ao evento a qualidade que merece.

Foi um exemplo para os muitos jovens que assistiram nas bancadas?
Serve de modelo e ganhamos sempre. Quer com a visibilidade, quer com as assistências nos pavilhões. Essa atenção ajuda a atrair jovens e aumentar a base de recrutamento. Desse ponto de vista, também foi uma aposta ganha.
Não tem acontecido, a este nível de Sub-20 por essa Europa fora, tanta visibilidade. Ficamos muito satisfeitos pois reflete, certamente, uma consolidação.

Quase parecia tratar-se de uma Seleção Sénior…
É verdade (risos). Em todos os jogos de Portugal, se alguém lá caísse sem saber que era a Seleção de Sub-20, podia achar que, quer pelos atletas, quer pelo público, se tratava de um jogo de seniores. São atletas, quer os portugueses, quer os estrangeiros, que, nos seus clubes, jogam nos principais campeonatos europeus. E com a qualidade que se viu em todos os jogos.
É muito gratificante ver esse acompanhamento do público, que acho que saiu satisfeito dos vários jogos.

Um caminho natural será grande parte destes jogadores integrarem as seleções principais, a breve trecho.
É sempre uma decisão dos selecionadores, mas, de facto, é positiva esta sensação de existir um futuro ao nível da Seleção principal, de haver jovens que podem, a seu tempo, podem fazer parte das escolhas. Nunca descansamos sobre o sucesso. Este já acabou, e agora temos de continuar a trabalhar, a olhar os próximos desafios. Só assim será possível ter êxito no futuro.

A modalidade tem evoluído positivamente? O que é necessário para que haja mais atletas com esta qualidade?
Há várias dimensões. Aumentar o número de atletas na base permitirá um maior leque de opções. Estes eventos e as prestações das Seleções são muito importantes para captar crianças e jovens. Depois, é preciso que o trabalho extraordinário que está a ser feito pelos clubes de formação, e dos treinadores, seja mantido e promovido porque têm um papel crítico para o sucesso. Sinto que há uma aposta por parte dos clubes na formação de qualidade. Hoje em dia, já há treinadores portugueses a trabalhar em clubes e seleções no estrangeiro, o que mostra a evolução da qualidade técnica.

Há outras competições em perspetiva?
Em Novembro, vamos organizar, em Leiria, em simultâneo, o Europeu e Mundial de andebol adaptado, que será em breve modalidade olímpica. É também uma aposta da Federação de Andebol. Queremos que Portugal tenha a possibilidade de aspirar a outros voos. O objetivo da Federação é estar nos grandes palcos e organizar palcos, sejam eventos indoor, praia ou adaptados.

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