05 Outubro 2022, 17:55

PM britânica admite que deveria ter “preparado melhor o terreno” para as medidas

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Londres, 02 out 2022 (Lusa) — A primeira-ministra britânica, Liz Truss, admitiu hoje que deveria ter “preparado melhor o terreno” antes de anunciar os cortes maciços de impostos na semana passada, que provocaram o caos nos mercados financeiros, mas defendeu as medidas.


“Continuo a apoiar o pacote que anunciámos e continuo a afirmar que o anunciámos rapidamente porque tínhamos de agir, mas reconheço que devíamos ter preparado melhor o terreno”, disse Truss à televisão britânica BBC.


A entrevista à BBC coincide com o início do congresso anual do Partido Conservador, que decorre entre hoje e quarta-feira, em Birmingham.


Eleita líder dos ‘tories’ no início de setembro, no congresso Truss vai enfrentar militantes e deputados irritados com a repercussão do “mini orçamento” de 23 de setembro nos mercados financeiros, afundando o valor da libra esterlina e fazendo disparar os juros da dívida pública.


Investidores reagiram ao pacote de cortes fiscais e congelamento dos preços da energia com desconfiança, devido à falta de projeções económicas e planos detalhados para controlar a crescente dívida pública.


A volatilidade levou o Banco de Inglaterra a identificar “riscos reais para a estabilidade financeira britânica” e a intervir no mercado de dívida, comprando obrigações do Estado.


A situação aumentou o risco de uma escalada das taxas de juro que terá impacto nos créditos à habitação, agravando a crise do aumento de custo de vida dos britânicos, já preocupante devido à inflação de quase 10%.


“Receio que haja um problema com as taxas de juro a subir em todo o mundo e temos de lidar com isso. Mas quero dizer às pessoas que compreendo as suas preocupações sobre o que aconteceu na semana passada”, disse Truss, citada pela agência espanhola EFE.


Truss insistiu que a situação geral é “muito difícil” e que “governos de todo o mundo estão a tomar decisões difíceis”.


“Este é um problema global”, disse a líder dos conservadores, que aludiu aos problemas causados pela guerra na Ucrânia e o rescaldo da pandemia de covid-19.


“O que está a acontecer em todo o mundo é que as taxas de juro estão a subir, por isso a Reserva Federal [dos Estados Unidos] aumentou-as em 4%”, afirmou.


Truss disse ainda que o seu executivo tem “um plano muito claro sobre como proceder este inverno com o plano energético, mas também sobre como lidar com a questão do abrandamento económico”.



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