22 Outubro 2021, 06:46

PM do Paquistão critica recusa em enterrar mineiros assassinados pelos ‘jihadistas’

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Islamabad, 08 jan 2021 (Lusa) – O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, criticou hoje a comunidade xiita hazara por se recusar a enterrar os corpos de 11 mineiros, assassinados pelo Estado Islâmico, até que o líder visite os familiares das vítimas e a comunidade.


“Nenhum primeiro-ministro pode ser chantageado dessa maneira, caso contrário, todos irão chantagear os primeiros-ministros”, disse Khan, em Islamabad.


O primeiro-ministro disse que iria a Quetta somente após os funerais serem realizados, sendo imediatamente acusado nas redes sociais de não responder à dor dos hazaras


Os 11 mineiros hazara foram mortos no domingo passado numa área montanhosa remota da província do Baluchistão, a província mais pobre do Paquistão, num ataque reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).


Cerca de 3 mil membros da comunidade hazara bloquearam uma estrada num subúrbio de Quetta, a capital da província. Os manifestantes recusam-se, desde domingo, a enterrar os mortos até que Khan visite a comunidade e forneça garantias de segurança.


“Imran Khan tem que vir. Se não vier, podemos protestar por seis meses ou mais com os corpos”, disse à agência de notícias AFP Ibrahim, um assistente social que se manifestou em Quetta.


“Ele deve vir e não fazer disso uma questão de prestígio, caso contrário, continuaremos a manifestar-nos continuamente”, insistiu.


Vários membros da comunidade hazara também lamentaram as declarações de Khan, dizendo que estavam prontos para expandir o seu movimento, que já atingiu a cidade portuária de Karachi (sul).


A recusa em enterrar os corpos simboliza a angústia dos hazaras, enquanto o rito muçulmano normalmente prevê que o sepultamento ocorra o mais rápido possível, geralmente em 24 horas.


Uma grande parte dos muçulmanos xiitas no Baluchistão são hazara. O Paquistão, predominantemente sunita, tem a segunda maior comunidade xiita do mundo depois do Irão, mas representa apenas 10 a 15% de seus 207 milhões de habitantes.


Facilmente identificados pelas características asiáticas são alvos fáceis para extremistas sunitas que os consideram apóstatas.


Os hazaras sofreram dezenas de ataques desde 2001 no Paquistão e no vizinho Afeganistão.


As autoridades paquistanesas há muito negam a presença do EI em seu território. Mas o grupo assumiu a responsabilidade por vários ataques no passado, como o atentado suicida em abril de 2019 contra um mercado de Quetta, que matou 20 pessoas.


O EI mantém ligações ao movimento local Lashkar-e-Jhangvi, que também se relaciona com os talibãs do Paquistão.



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