19 Janeiro 2022, 19:37

Polícia faz operação contra pré-candidato citado em investigação de corrupção no Brasil

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

São Paulo, 15 dez 2021 (Lusa) – A Polícia Federal realizou hoje uma operação para investigar alegado pagamento de suborno ao pré-candidato à Presidência do Brasil Ciro Gomes e outros políticos do Ceará, em contratos das obras no estádio Castelão, em Fortaleza, entre 2010 e 2013.


Numa mensagem publicada na rede social Twitter, Ciro Gomes reagiu à operação negando ligação com os factos investigados, e qualificou a ordem de busca e apreensão contra si como abusiva.


O pré-candidato à Presidência do Brasil também sugeriu que a operação chamada ‘Colosseum’ terá sido uma manobra eleitoral para favorecer o atual Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.


“Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um país democrático. Mas depois da Polícia Federal subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo a minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade”, escreveu Ciro Gomes.


“Não tenho nenhuma ligação com os supostos factos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionado com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contacto com os delatores (…) Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República”, acrescentou o político brasileiro.


Além de Ciro Gomes foram alvo de buscas dois de seus irmãos, o senador Cid Gomes e Lúcio Ferreira Gomes. Também foram realizadas diligências em endereços de ex-funcionários que atuaram no governo regional do estado do Ceará.


Cerca de 80 agentes da Polícia Federal cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de Fortaleza, Meruoca, Juazeiro do Norte, São Paulo, Belo Horizonte e São Luís.


Segundo comunicado da polícia brasileira, os citados são suspeitos de cometerem “fraudes, exigências e pagamentos de propinas [suborno] a agentes políticos e servidores públicos decorrentes de procedimento de licitação para obras” no estádio do Castelão, usado na Copa do Mundo de 2014 realizada no Brasil.


Este inquérito começou em 2017 e contou com relatos de delatores que alegaram que a construtora Galvão Engenharia pagou subornos aos envolvidos para obter êxito no processo licitatório da Arena Castelão e, na fase de execução contratual, receber valores devidos pelo estado do Ceará que na época era governado por Cid Gomes.


A polícia afirma que há indícios de pagamentos de 11 milhões de reais (1,7 milhões de euros, na cotação atual) em suborno diretamente em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.


Ciro Gomes foi candidato à Presidência nas eleições de 1998, 2002 e 2018, e atualmente trabalha para criar uma frente de centro-esquerda que rompa a clara polarização entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.


A mais recente sondagem sobre as presidenciais brasileiras foi divulgada na terça-feira e atribuiu a Lula da Silva uma intenção de voto de 48%, ante os 21% que Bolsonaro obteria. Gomes ficou em quarto lugar, com 5%, abaixo do ex-juiz Sergio Moro, que teria 6% do apoio. 


 


CYR // LFS


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