30 Novembro 2021, 01:59

PR de Cabo Verde acompanha “factos de muita gravidade” em instalações militares

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 19 mai 2021 (Lusa) – O Presidente da República de Cabo Verde, comandante supremo das Forças Armadas do arquipélago, disse hoje que está a acompanhar a situação envolvendo “factos de muita gravidade” em instalações militares do país.


Numa mensagem colocada na sua conta oficial na rede social Facebook, Jorge Carlos Fonseca refere que se reuniu na terça-feira com o chefe da Casa Militar do Presidente da República e que depois conversou com o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), major-general Anildo Morais, “sobre a ocorrência de factos de muita gravidade em instalações militares”, sem concretizar a situação.


Contudo, as Forças Armadas de Cabo Verde anunciaram na terça-feira que foi ordenada a averiguação a vídeos nas redes sociais com maus-tratos e alusão a atos sexuais praticados por soldados, condenando a prática e prometendo punir exemplarmente os mandantes.


“Diligências e medidas adequadas estão já em curso pelos responsáveis das Forças Armadas”, escreveu Jorge Carlos Fonseca.


O gabinete do CEMFA explicou, em comunicado, que tomou conhecimento de um “vídeo hediondo”, onde soldados abusam de “forma vergonhosa” de seus colegas mais novos, ordenando-lhes para fazerem atos contra a sua vontade.


“De imediato foi ordenada a averiguação sobre tais situações, para se determinar a data dos factos, os seus autores, o local e os factos indiciadores de responsabilidades disciplinares, criminais, e demais responsabilidades inerentes”, garantiu.


As Forças Armadas cabo-verdianas sublinham que os regulamentos militares proíbem de forma explícita e veemente todos os comportamentos constantes dos vídeos, sendo puníveis nos termos do Código de Justiça Militar e do Regulamento de Disciplina Militar em vigor.


Além disso, lembra que o CEMFA proibiu qualquer tipo de sevícias, sanções corporais, ofensas à integridade física ou moral, a prisão arbitrária e castigos físicos excessivos nas Forças Armadas.


“Importa ressalvar que os factos constantes do referido vídeo não ocorreram a mando de qualquer superior hierárquico, ou no âmbito de instrução, sendo factos condenáveis, vergonhosos e violam todos os princípios que enformam a instituição militar”, salientou a mesma fonte.


As Forças Armadas condenaram “veementemente” os maus-tratos e prometeram que os prevaricadores serão “exemplarmente punidos” nos termos das leis e regulamentos militares.


“Medidas serão tomadas para que situações do tipo não voltem a ocorrer nas fileiras das Forças Armadas de Cabo Verde”, garantiu.


No vídeo posto a circular nas redes sociais, e que está a causar muita indignação em Cabo Verde, vê-se três soldados, devidamente fardados, a serem obrigados a fingir praticar atos sexuais contra uma parede, ao mesmo tempo que os mandantes gravam e riem-se da situação.


Pelas imagens pode-se depreender que os vídeos foram gravados recentemente, porque dois dos soldados usam uma máscara de proteção contra a covid-19.


No mesmo comunicado, a instituição castrense cabo-verdiana recordou que este é o segundo vídeo do tipo de que toma conhecimento, depois de um em 03 de março passado, “onde alguns militares agarravam um seu colega, infligindo-lhe maus-tratos de forma cruel, desumana e vergonhosa, colocando em causa todos os princípios castrenses e violando todos os regulamentos militares”.


Nesse caso, os prevaricadores foram identificados, foi aberto uma instrução criminal, investigado por um promotor de Justiça junto do Tribunal Militar de Instância, que concluiu o processo em 09 de abril.


“No mesmo sentido foi ordenada a instauração de um processo disciplinar contra todos os envolvidos, tendo sido os participantes punidos disciplinarmente de forma exemplar, ficando a aguardar as subsequentes démarches judiciais”, deram conta as Forças Armadas.


A mesma fonte referiu ainda que alguns dos participantes do vídeo se encontravam já em situação de disponibilidade, tendo sido chamados a prestar depoimento e a responder pelos atos cometidos.


Também foi ordenada uma campanha de esclarecimentos a todos os militares no intuito de prevenir futuras situações do tipo.



PVJ (RIPE) // VM


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário