07 Dezembro 2021, 00:32

PR do Irão diz que fuga de gravação tem como objetivo de criar discórdia no país

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Teerão, 28 abr 2021 (Lusa) – O Presidente do Irão disse hoje que a fuga de uma gravação áudio do ministro dos Negócios Estrangeiros tem como objetivo criar “discórdia” em Teerão, no momento em que decorrem discussões internacionais para relançar o acordo nuclear iraniano.


“Roubar um documento, um áudio, isso é algo que precisa ser investigado. Porquê, então, neste momento?”, disse o Presidente Hassan Rohani durante a reunião do seu gabinete, declarações que foram transmitidas pela televisão iraniana.


A divulgação da gravação ocorre “no momento em que as negociações de Viena estavam no auge do sucesso, de modo a criar discórdia dentro” do Irão, segundo o Presidente iraniano.


“Só podemos suspender as sanções [impostas ao país] por meio da unidade”, acrescentou Rohani.


Meios de comunicação estrangeiros, incluindo o New York Times, publicaram nos últimos dias trechos de uma alegada gravação de uma conversa do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, a criticar o papel do general Qassem Soleimani na política externa do país.


Segundo um excerto publicado pelo diário norte-americano, o ministro disse: “Na República Islâmica, o campo militar reina. Sacrifiquei a diplomacia em (benefício) do campo militar”, no entanto, o “campo militar” deveria estar “ao serviço da diplomacia”.


Já hoje, Zarif fez os primeiros comentários públicos sobre a polémica, na rede social Instagram.


“Lamento muito que uma discussão teórica secreta sobre a necessidade de aumentar a cooperação entre a diplomacia e o campo (militar), para que os próximos oficiais usem as valiosas experiências dos últimos oito anos, se tenha tornado um conflito interno”, escreveu o ministro.


No entanto, Zarif não chegou a desculpar-se pelas suas observações diretamente. Zarif disse que os comentários honestos sobre o que percebeu como errado foram interpretados como crítica pessoal.


“Eu não me censurei, porque isso é uma traição ao povo”, escreveu Zarif.


Os comentários polémicos do ministro Zarif, que falou sobre a influência dos militares na diplomacia iraniana, vieram à tona enquanto o Irão e as principais potências estavam a negociar em Viena para trazer os Estados Unidos de volta ao acordo nuclear iraniano.


O acordo de 2015 foi abandonado pelos Estados Unidos sob a administração do Presidente Donald Trump, em 2018.


Os representantes dos Estados ainda signatários do acordo (Irão, China, Rússia, França, Alemanha, Reino Unido) reuniram-se na terça-feira na capital austríaca e concordaram em “acelerar o processo”, segundo Teerão, para salvar o acordo.


Concluído em 2015 durante o primeiro mandato de Rohani, após longas negociações lideradas por Zarif, o acordo tinha como objetivo conceder alívio das sanções impostas ao Irão em troca de limites ao seu programa nuclear.


Mas começou a desmoronar em 2018, quando Trump tirou os Estados Unidos do acordo e novamente impôs sanções. Em resposta, o Irão intensificou as suas atividades nucleares um ano depois.



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Teerão, 27 abr 2021 (Lusa) – O Presidente iraniano, Hassan Rohani, ordenou uma investigação após a fuga de uma gravação de áudio contendo declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão a criticar o papel do general Qassem Soleimani na política externa do país.


“Nós acreditamos que esse roubo de dados é uma conspiração contra o Governo, o sistema, a integridade das instituições nacionais e também contra nossos interesses nacionais”, disse hoje o porta-voz do Governo, Ali Rabii, aos jornalistas.


“O Presidente mandou que o Ministério dos Serviços de Informação identificasse os agentes dessa conspiração”, declarou, dizendo ainda que o registo da entrevista foi “roubado por motivos óbvios”, sem dar maiores detalhes.


Meios de comunicação estrangeiros, incluindo o New York Times, publicaram nos últimos dias trechos de uma alegada gravação de uma conversa do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, sem especificar como obtiveram o áudio.


Segundo um excerto publicado pelo diário norte-americano, o ministro disse: “Na República Islâmica, o campo militar reina. Sacrifiquei a diplomacia em (benefício) do campo militar”, no entanto, o “campo militar” deveria estar “ao serviço da diplomacia”.


Zarif não comentou a polémica, mas divulgou hoje um breve áudio na rede social Instagram.


“Eu acredito que vocês não deveriam estar a trabalhar para a história (…). Eu digo que não se preocupem tanto com a história, mas preocupem-se com Deus e as pessoas”.


O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Said Khatibzadeh, na segunda-feira, não negou a autenticidade da gravação, mas disse foi tirada de uma entrevista de sete horas que incluía “opiniões pessoais”.


Os comentários provocaram fortes críticas dos meios de comunicação e de políticos conservadores, sendo o caso do general Soleimani um assunto delicado no país.


Apelidado de “o homem do campo de batalha”, Qassem Soleimani foi morto durante um ataque de ‘drones’ norte-americanos, em Bagdade, em janeiro de 2020.


Soleimani era o chefe da Força Quds, encarregado das operações externas da Guarda Revolucionária, braço ideológico do exército islâmico República do Irão.



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