20 Agosto 2022, 05:57

Presidenciais: Seria lamentável maioria de centro-esquerda sem representação nas eleições — Marisa Matias

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 13 dez 2020 (Lusa) — A candidata presidencial apoiada pelo BE, Marisa Matias, considera “lamentável” que num país com uma maioria de centro-esquerda esta “não se faça representar” nas eleições para Belém, acusando o PS de se ter demitido desse combate.


“Seria lamentável que um país que tem ainda uma maioria – e espero que ainda por mais tempo – de centro-esquerda na Assembleia da República, [esta] não se faça representar devidamente nas eleições presidenciais”, afirma, em entrevista à agência Lusa, a recandidata apoiada pelo BE às eleições de 24 de janeiro.


“O Partido Socialista demitiu-se de fazer este combate do ponto de vista formal”, declara a eurodeputada, para quem no momento atual não se vislumbra, no campo da esquerda, nenhuma candidatura “que seja capaz de reunir um consenso tão alargado que se justifique a ausência das outras candidaturas”.


Segundo Marisa Matias, “estas candidaturas são importantes do ponto de vista da democracia” e “representam o espaço da esquerda, na sua diversidade”.


O país está a viver “um momento muito complicado”, avisa a dirigente do BE, pelo que “faz falta essa resposta de esquerda à crise, também neste espaço, que é o espaço para a Presidência da República”.


Reiterando, neste quadro, a importância de uma candidatura com um “programa claro e um programa de esquerda na defesa dos serviços públicos”, Marisa Matias refere que isso não a impediu de “refletir muito sobre a [sua própria] candidatura”, mas sem “hesitação”.


“A decisão foi muito pensada, é óbvio que ninguém se apresenta uma candidatura desta natureza sem refletir muito sobre ela antes. Mas a decisão foi tomada, não pensei voltar atrás”, diz Marisa Matias.


De acordo com a candidata presidencial, a política tornou-se mais exigente devido à crise, “os momentos são difíceis, mas isso não significa que deixou de haver espaço para o debate político, pelo contrário, é mais exigente, mas é necessário e tão necessário como antes”.


Questionada sobre os pontos de contacto com os outros candidatos da esquerda — a socialista Ana Gomes e o comunista João Ferreira — a bloquista afirma que todos têm “margens interessantes de convergência e divergência”.


“Nós não estamos numa situação em que se possa falar de que uma candidatura sozinha seria mais forte do que estas candidaturas (…) a soma das partes chega a mais gente e é mais representativa do que do que se fosse apenas uma candidatura eleitoral”, justifica.


Para Marisa Matias, o facto de haver várias candidaturas até é benéfico, porque “mobiliza mais eleitorado de esquerda, do que uma candidatura de alguém” que seja consensual, o que não acontece “nem mesmo a própria Ana Gomes” dentro do PS.


Em relação à socialista, a candidata presidencial refere a amizade e o trabalho conjunto em muitos temas no Parlamento Europeu, como a corrupção, mas também as divergências relativas ao Orçamento do Estado e também ao ‘offshore’ da Madeira.


Quanto a João Ferreira, Marisa Matias salienta a diferença em relação à visão do mundo, “nomeadamente no que diz respeito à política internacional”.


Nesta entrevista, a eurodeputada volta a afirmar-se como sendo social-democrata, que trabalha “todos os dias” e defende “as conquistas históricas da social-democracia”, mas admite perceber algumas das razões pelas quais essa sua afirmação pode provocar confusão no eleitorado.


“Não nos podemos esquecer que estamos num país, que tem esta coisa única no mundo que é ter um partido de direita que se chama social-democrata”, conclui.



JF/LM // JPS


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