24 Novembro 2022, 14:40

Presidente de Seixezelo em Gaia nega que esteja a impedir desagregação de Pedroso

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

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O presidente da União de Freguesias de Seixezelo e Pedroso, concelho de Vila Nova de Gaia, negou hoje que esteja a tentar impedir a desagregação dessas localidades, uma acusação feita por um movimento popular e por vários partidos.

Em causa está uma polémica que já gerou dois abaixo-assinados contraditórios, cada qual com mais de 630 assinaturas, e determinou a marcação de uma consulta pública à população de Seixezelo para 01 de dezembro.

Em declarações à agência Lusa, o socialista Filipe Silva Lopes vincou que “se limitou a dar conhecimento dos abaixo-assinados à Assembleia Municipal de Gaia” e garantiu que não teve participação na condução de nenhum deles, o que contraria as versões de um movimento popular de Seixezelo, bem como do PSD e da CDU de Gaia.

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“A minha opinião é pública, mas perante a lei não é vinculativa. É uma opinião pessoal. Acho que é benéfico para ambas [as freguesias] manter a agregação. (…) Limitámo-nos a receber os dois abaixo-assinados [um a favor da desagregação e um contra] e encaminhámos para a Assembleia Municipal para conhecimento”, disse o autarca.

Versão diferente tem um movimento popular que defende a desagregação e promoveu um dos abaixo-assinados, grupo “sem nome oficial” que foi descrito à Lusa pelo porta-voz, Joaquim Silva, como “um conjunto de pessoas em luta pela reposição da identidade de Seixezelo”.

“Foi ele [presidente da Junta] que fez o abaixo-assinado para ficar tudo como está. Ele queria decidir sozinho. Mas nós batalhámos e contrariámos. Conseguimos que a Assembleia Municipal aprovasse uma consulta pública e vamos levar esta luta até ao fim”, disse Joaquim Silva.

Para o porta-voz, em causa está a identidade da freguesia e o uso do dinheiro público.

“O nosso dinheiro não é gasto em Seixezelo. Vai tudo para Pedroso. Não se pode aceitar que o orgulho próprio de uma pessoa ponha em causa a identidade de uma freguesia”, argumentou.

O abaixo-assinado e descrição sobre esta polémica foram já enviados ao Presidente da República, primeiro-ministro e partidos com assento parlamentar, disse o porta-voz do movimento.

Já em conferência de imprensa, na quinta-feira, também a CDU de Gaia teceu críticas ao presidente da Junta e disse que as duas freguesias reúnem “todas as condições” para estarem separadas.

À Lusa, a comunista Paula Baptista disse que as populações estão “zangadas e revoltadas” com toda a situação e com “toda a razão”, porque a vontade pela desagregação está “mais do que expressa” num abaixo-assinado, sendo uma reivindicação “justa”.

Entretanto, a este coro juntou-se, na quarta-feira, o PSD de Gaia que, em comunicado, acusou Filipe Silva Lopes de “impedir, por vias travessas e na secretaria, a concretização do desejo da autonomia administrativa e política da freguesia de Seixezelo”.

“Os seixezelenses, definitivamente, recusam-se a permanecer agregados a Pedroso ou a ser um lugar de Pedroso. É, pois, com a legitimidade de quem já teve opinião diferente, que me associo a todos os seixezelenses e reclamo a autonomia administrativa e política da freguesia de Seixezelo”, afirmou Sérgio Baptista, que é deputado do PSD na Assembleia Municipal de Gaia, citado no comunicado.

Confrontado com estas acusações, o presidente da Junta convidou os partidos a ler a lei sobre a desagregação: “É muito clara. Quem tem de apresentar propostas para desagregação de freguesias é um terço dos deputados da Assembleia de Freguesia, da qual não faço parte. O PSD faz parte e não apresentou propostas. A CDU não faz parte porque o povo não quis”, atirou.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Gaia anunciou que os habitantes de Seixezelo vão votar a 01 de dezembro se querem ou não desagregar-se de Pedroso.

A consulta pública, que não é vinculativa e é reservada a pessoas recenseadas em Seixezelo, vai decorrer por voto secreto em urna das 08:00 às 19:00 horas no Centro Social Manuel Pinto de Sousa.

Joaquim Silva, do movimento popular, estima que “pelo menos 80% da população vote pela desagregação”, enquanto o presidente da junta não quis fazer estimativas.

A freguesia de Seixezelo tem 15.000 habitantes, enquanto a de Pedroso tem 30.000.

Em Vila Nova de Gaia existem 15 autarquias locais, sete das quais são uniões de freguesias e oito juntas. Antes da agregação, existiam 24 freguesias.

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