18 Outubro 2021, 15:53

Presidente do BCE reitera que aumento da inflação é “temporário” e rejeita reação “exagerada”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 28 set 2021 (Lusa) — A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reiterou hoje que o aumento da inflação na zona euro é temporário, devido à pandemia, defendendo que a política monetária não deve reagir “de forma exagerada” a esta subida.


“O principal desafio é garantir que não reagimos de forma exagerada a choques de oferta transitórios que não têm influência no médio prazo”, afirmou Lagarde no discurso de abertura do fórum anual do BCE, que normalmente se realiza em Sintra, mas este ano volta a ser ‘online’ devido à pandemia.


Christine Lagarde sublinhou que existe atualmente “uma fase inflacionista temporária relacionada com a reabertura” da economia, após os confinamentos determinados pela pandemia, e defendeu uma política monetária que permita “sair de forma segura da pandemia e fazer regressar a inflação, de forma sustentável, aos 2%”.


“Assim que esses efeitos da pandemia passarem, esperamos que a inflação diminua”, insistiu.


A presidente do BCE reiterou, assim, o que já havia dito na terça-feira, quando garantiu que o aumento da inflação na zona do euro, que disparou para 3% em agosto, é temporário.


“Só vamos reagir a aumentos da inflação que considerarmos duradouros e que se reflitam na dinâmica da inflação subjacente”, disse Lagarde, insistindo não ver “sinais” de que este aumento se esteja a generalizar a toda a economia.


A responsável máxima do supervisor bancário europeu referiu ainda que o inquérito do BCE a analistas monetários “também aponta para uma convergência gradual da inflação”, que se prevê que estabilize nos 2% em cinco anos.


No seu discurso, a presidente do BCE considerou que a pandemia causou uma recessão “muito incomum”, seguida de uma recuperação “muito atípica”.


“A resposta da inflação reflete as circunstâncias excecionais em que nos encontramos. Esperamos que esses efeitos passem um dia”, sustentou.


Ainda assim, Christine Lagarde reconheceu que a pandemia gerou novas tendências que “podem afetar a dinâmica da inflação” nos próximos anos, gerando pressões no sentido de um aumento ou de uma redução dos preços.


“A política monetária deve permanecer focada em permitir que a economia saia de forma segura da emergência pandémica e em levar a inflação, de forma sustentável, em direção à nossa meta de 2%”, concluiu.


Lagarde abriu o fórum anual do BCE, que decorre em formato ‘online’ hoje e na quarta-feira e terá no centro do debate o futuro da política monetária após a pandemia.


O evento reúne governadores de bancos centrais, académicos e diversos especialistas, tendo em cima da mesa temas como o futuro da inflação, os efeitos distributivos da política monetária, a ligação entre a política monetária e as alterações climáticas no contexto europeu, o papel do endividamento das empresas num mundo pós-pandémico e as mudanças estruturais potencialmente duradouras provocadas pela pandemia nos vários setores empresariais.


Entre os participantes estão também o presidente da Reserva Federal (Fed) dos EUA, Jerome Powell, os governadores do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e do Japão, Haruhiko Kuroda, e o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos.



PD // CSJ


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