28 Setembro 2021, 15:20

Presidente do INEM alerta para dificuldade em fixar médicos

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Porto, 27 mai 2021 (Lusa) — O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alertou hoje para a dificuldade em fixar médicos, contando que alguns concursos ficaram mesmo desertos, razão pela qual vê como “essencial” a criação da especialidade de Medicina de Urgência.


“Nos últimos anos temos tido grande dificuldade em fixar médicos. Temos tido inclusivamente alguns procedimentos concursais que têm ficado desertos. O que está em causa é claramente existir uma carreira na qual os médicos possam apostar”, disse Luís Meira durante um debate sobre “Reforma dos Serviços de Urgência no Pós-Pandemia” que decorreu no Hospital de São João, no Porto.


Luis Meira adiantou que está a decorrer um procedimento concursal com 30 vagas para médicos do INEM, mas que sobre o sucesso deste “não há, infelizmente, certezas”.


“A progressão na carreira não existe e a especialidade é essencial para melhorar as qualificações e as competências dos médicos que trabalham no serviço de urgência, mas também aqueles que trabalham no pré-hospitalar. Temos um processo concursal para 30 médicos. Espero que a grande maioria das vagas possa ser ocupada, mas gostaria de ter mais certezas”, referiu aos jornalistas já à margem do debate.


Luís Meira apontou que os médicos que “vão continuando no INEM”, fazem-no “claramente por uma paixão à emergência médica”, até porque, sublinhou, “é preciso ter perfil e motivação”.


O presidente do INEM participou neste debate, promovido pelo Porto Canal, ao lado do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, da diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde Porto Oriental, Dulce Pinto, bem como do diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário de São João, Nelson Pereira.


Na audiência estava a presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência, Adelina Pereira, que também defendeu a criação da especialidade de Medicina de Urgência.


“Em Portugal temos muito poucos Serviços de Urgência com equipas próprias, equipas dedicadas e que só fazem urgência, mas têm várias formações diferentes. As equipas dedicadas já são uma mais-valia. Imaginemos o que era ter nos Serviços de Urgência profissionais com formação especifica para dar resposta a situações agudas e a doentes críticos em situações de urgência ou emergência”, disse Adelina Pereira em declarações aos jornalistas, considerando que “a pandemia veio exacerbar” a necessidade da criação desta especialidade, porque dela “advém a qualidade formativa das pessoas dos profissionais e a organização dos serviços”.


“E não foi só a pandemia. Todos os anos temos pequenas crises”, referiu.


Também Nelson Pereira disse que a criação desta especialidade “justifica-se pela ciência, porque é uma área do conhecimento diferente das outras, mas justifica-se também do ponto de vista organizacional”, considerando-a “incontornável”.


“Poderá demorar mais um mês ou menos um mês — eu espero que seja assim, e não um ano ou menos um ano — mas definitivamente caminhamos para lá (…). Isto não significa afastar nenhuma especialidade do Serviço de Urgência. Os Serviços de Urgência têm, infelizmente, espaço para toda a gente”, apontou o médico do Hospital de São João.


Questionado sobre esta matéria, à margem do debate, Miguel Guimarães explicou que a criação de uma especialidade nova depende do que vier a decidir a Assembleia de Representantes, um órgão da Ordem dos Médicos que tem médicos de todo o país.


“O grupo tem tido dificuldades. Não há um consenso entre todas as especialidades. Há especialidades que estão de acordo e outras que não estão de acordo ou querem fazer as coisas de forma diferente”, disse.


Miguel Guimarães apontou que tem “procurado não emitir opinião para não influenciar o trabalho que está a ser feito” e desafiou o Ministério da Saúde a pronunciar-se sobre o tema.


“São eles que podem dizer se a criação de uma especialidade faz sentido para o plano que têm para a reforma do Serviço Nacional de Saúde e dos Serviços de Urgência”, concluiu.


Portugal é atualmente, com Espanha, Alemanha, Chipre e Áustria, um dos cinco países europeus que não têm a especialidade de Medicina de Urgência e Emergência.



PFT // JMR


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