04 Fevereiro 2023, 07:00

Prioridade entre futuras linhas dependerá do envelope financeiro – Metro do Porto

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

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A prioridade a estabelecer entre as futuras linhas da Metro do Porto será “determinada em função daquilo que é o envelope financeiro”, disse o presidente da transportadora, Tiago Braga, em entrevista à Lusa, assinalando 20 anos de serviço comercial.

“A prioridade vai ser determinada em função daquilo que é o envelope financeiro”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, na sede da empresa que celebra os 20 anos do arranque do seu serviço comercial na quarta-feira.

Tiago Braga tinha sido questionado acerca de qual a prioridade para as futuras linhas do Metro do Porto, a construir após as atuais fases de prolongamento da Linha Amarela (em Vila Nova de Gaia), da construção da Linha Rosa (no Porto), da Linha Rubi (nos dois municípios), e do ‘metrobus’ (BRT – ‘Bus Rapid Transit’) da Boavista (Porto).

“Nós temos a linha de Gondomar até ao Souto, que é uma linha prioritária. Temos a questão da reposição do serviço para a Trofa, que é um serviço, como sabem, que temos vindo a apresentar com um modelo híbrido, com um prolongamento do canal ferroviário até à estação de Muro/Serra e depois em BRT até à Trofa”, elencou.

Continuando a enumeração, referiu-se à linha de São Mamede de Infesta, importante “porque também garante uma duplicação de acesso ao PMO [Parque de Material e Oficinas] de Guifões”, em Matosinhos, e ainda “à própria segunda linha da Maia”.

“E uma linha que é muito importante para nós, que é a continuação – que um dia chegará a Campanhã – da Linha Rosa. Nós só estamos a fazer, das três fases, a primeira fase, entre a Praça da Liberdade e a Casa da Música”, apontou o responsável da Metro do Porto, recordando a atual empreitada.

Questionado sobre prazos para o arranque das novas linhas, o presidente da transportadora remeteu para o Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030, esperando ver “qual a dotação orçamental” destinada à Metro para os definir.

“Estamos a desenvolver essas linhas em termos de projeto preliminar, em termos de traçado, de localização das estações. Temos o perfil geotécnico já definido. Estamos a ganhar maturidade. O levantamento cadastral, o levantamento patrimonial, todas as questões estão a ser trabalhadas no sentido de, assim que houver financiamento assegurado, nós podermos avançar com os projetos a nível de anteprojeto”, disse à Lusa.

O responsável referiu que “muito provavelmente” a Metro vai optar pela abordagem de conceção/construção, “um modelo muito parecido com aquele que é o do BRT”.

Tiago Braga, presidente desde 2019 e com mandato até 2025, relembrou que a empresa, “neste momento, tem um pacote de investimento de cerca de mil milhões de euros”, que “só tem paralelo com o início da vida da Metro do Porto”.

“Acontece é que há uma diferença, e que não é uma diferença de pormenor. Há 20 anos, quando tínhamos um nível de investimento desta dimensão, não transportávamos os mais de 60 milhões de validações”, apontou.

De resto, Tiago Braga apontou precisamente esse número como a estimativa para fecho do ano de 2022, um valor bem acima dos 39,3 milhões de 2020 e 41,6 milhões de 2021, anos marcados pela pandemia de covid-19, mas ainda abaixo do recorde de 2019 (71,3 milhões de validações).

O ano de 2022 deverá fechar, também, com a chegada do primeiro novo veículo adquirido à chinesa CRRC, “entre o dia 15 e 17 de dezembro”.

À Lusa, o presidente quantificou também em 2.200 milhões de euros os benefícios sociais e ambientais gerados pela empresa ao longo dos anos.

Para Tiago Braga, o Metro do Porto, “de facto, transformou e ajudou a transformar a cidade grande, o Grande Porto”.

“Acredito mesmo que o Metro, para além de ser um agente de transformação, de descarbonização de cidade, é claramente um agente de coesão social. Não é territorial, é social”, disse à Lusa.

O presidente da Metro do Porto releva o papel de conseguir, por 40 euros por mês, transportar “uma pessoa de Vila d’Este [Gaia] até à Póvoa de Varzim, ou da Póvoa de Varzim até à Trindade [Porto]”.

“Essas pessoas que, em circunstâncias normais, teriam de despender muito mais dinheiro para fazer as suas deslocações passam a ser mais competitivas no mercado de trabalho”, apontou.

Para Tiago Braga, “o transporte, a mobilidade, não é só uma questão de descongestionamento, que é uma questão importante, ou de descarbonização, que é uma questão importante”, mas sim “também uma questão de desenvolvimento, e de desenvolvimento também social”.

Em termos pessoais, considera que ser presidente da Metro do Porto é “um exercício de compromisso total e absoluto”, de foco exclusivo, sendo “o projeto de uma vida”.

“Perante as dificuldades, o estímulo que nós temos, que nós procuramos transmitir à própria equipa, é que esta é uma oportunidade de uma vida de ajudar a transformar a nossa terra”, sublinhou à Lusa.

Questionado sobre se um dia tenciona regressar a uma casa que bem conhece do outro lado do rio Douro, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, onde já foi chefe de gabinete do atual presidente, Tiago Braga ironizou.

“Eu volto todos os dias ao outro lado do rio a uma casa que conheço, que é a minha casa. Isso volto”, respondeu, considerando que “quando se está num lugar e se está a pensar noutros lugares, normalmente a coisa não corre bem”.

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