28 Janeiro 2022, 00:07

Prisioneiro palestiniano termina greve de 140 dias após chegar a acordo com Israel

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Jerusalém, Israel, 04 jan 2022 (Lusa) — Um prisioneiro palestiniano concordou hoje terminar uma greve de fome de 140 dias, que serviu para protestar contra sua detenção sem acusação, após chegar a um acordo com Israel para ser libertado em fevereiro, disse o seu advogado.


Hisham Abu Hawash, de 40 anos, pai de cinco filhos e membro do grupo Jihad Islâmica, está entre os vários palestinianos que fizeram greve de fome para protestar contra serem mantidos sob “detenção administrativos”, uma medida polémica que Israel diz ser necessária para segurança.


O seu advogado, Jawad Boulos, disse que concordou em finalizar a greve de fome depois de Israel ter-se comprometido a libertá-lo em 26 de fevereiro. As autoridades israelitas ainda não comentaram o assunto.


Os palestinianos protestaram na Cisjordânia ocupada e em Gaza em apoio a Abu Hawash e a Jihad Islâmica ameaçou com uma ação militar contra Israel se o prisioneiro acabasse por morrer.


A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), um grupo de 57 estados de maioria muçulmana com sede na Arábia Saudita, emitiu uma rara declaração a expressar “grande preocupação” com a sua condição.


O Clube de Prisioneiros Palestinianos, que representa os antigos e os atuais prisioneiros de origem palestiniana, saudou a greve como uma vitória. O relatório disse que Abu Hawash já havia passado oito anos em prisões israelitas, mais de metade deles em detenção administrativa.


Os 2,5 milhões de palestinianos que vivem na Cisjordânia ocupada estão sujeitos aos tribunais militares israelitas, enquanto os colonos judeus, no mesmo território, estão dependentes do sistema de justiça civil de Israel.


Israel ocupou a Cisjordânia na guerra no Médio Oriente em 1967 e os palestinianos querem que o território forme a parte central do seu futuro estado.


Sob detenção administrativa, que raramente é usada contra judeus, os suspeitos podem ser detidos durante vários meses ou anos sem serem acusados ou sem provas contra eles. Israel considera a Jihad Islâmica, que matou vários israelitas, um grupo terrorista.


Israel diz que a detenção administrativa é necessária para impedir ataques e deter militantes perigosos, sem revelar fontes de inteligência sensíveis.


Grupos israelitas e internacionais de direitos humanos dizem que prática nega às pessoas o direito ao devido processo. Centenas de palestinianos são mantidos em detenção administrativa a qualquer momento.


Os palestinianos em greve de fome são transferidos para hospitais israelitas sob vigilância conforme o agravamento do seu estado de saúde. Os médicos dão-lhes água e recomendam que tomem vitaminas, o que é recusado por muitos.


Fotografias que circularam ‘online’ nos últimos dias, mostraram Abu Hawash numa cama de hospital, com o rosto pálido e tenso.


A falta de vítimas de uma greve de fome prolongada pode causa danos neurológicos irreparáveis, e muitos ex-grevistas palestinianos dizem que têm lutado para retomar uma vida normal depois de serem libertados.



JML//RBF


Lusa/Fim

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