14 Maio 2022, 13:50

Produção nacional representa entre 50% e 90% nos supermercados em Portugal

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 30 abr 2022 (Lusa) — A produção nacional representa entre 50% e 90% no total dos produtos disponibilizados nos principais supermercados a operar em Portugal, consoante a categoria, e os consumidores optam por estes alimentos, embora o valor pese na escolha final.


“O apoio à produção nacional é estrutural para o Lidl Portugal, assim como a garantia de um trabalho de proximidade com os seus fornecedores e produtores nacionais, privilegiando parcerias de longo prazo. Nesse sentido, em 2021, mais de metade dos artigos comprados pelo Lidl Portugal (cerca de 56%) foram a fornecedores nacionais, valor semelhante ao do ano anterior”, afirmou fonte oficial deste supermercado, em resposta à Lusa.


No que se refere à escolha dos consumidores, o Lidl notou que se verifica uma maior preocupação com a sustentabilidade, o que leva ao aumento da procura pelos produtos nacionais, uma vez que apresentam “maior frescura, menor tempo de deslocação e usufruto dos artigos da época”.


O Lidl Portugal precisou ainda que, em 2021, 60% das vendas foram provenientes de fornecedores nacionais, acrescentando que o compromisso de apoiar os produtores nacionais “ganha ainda maior relevância” no futuro.


Esta cadeia de supermercados trabalhou com 430 fornecedores nacionais no ano passado, mais 11% do que em 2020, quando exportou 18.200 toneladas de frutas e legumes portugueses para oito países europeus.


Por sua vez, o ‘managing director category management’ da Aldi, Daniel da Silva, apontou que a percentagem de produtos nacionais “varia consoante a categoria, a época e a capacidade de fornecimento”, exemplificando que todos os ovos e carne fresca são de origem portuguesa, assim como 55% das frutas e legumes a granel, embora ainda existam categorias onde há necessidade de importar.


“Apesar da forte cultura gastronómica que existe em Portugal, sentimos que os consumidores Aldi gostam de experimentar, sendo este um dos grandes motivos que os trouxeram, num primeiro momento, até às nossas lojas […]. Podemos adiantar que existem categorias, como é o caso da carne fresca, que o consumidor Aldi dá prevalência ao que é produzido a nível nacional. Contudo, é sabido que o fator preço, acaba por pesar no momento de decisão”, disse.


Cerca de 85% dos artigos da Aldi são de marcas próprias e, “em muitos casos”, são a principal escolha dos clientes, como as bebidas de origem vegetal e os produtos de limpeza do lar.


Os supermercados Aldi ponderam ainda reforçar a oferta de produtos ‘made in Portugal’, nomeadamente no que se refere aos produtos nacionais, como queijos e enchidos.


No caso do Continente, dois em cada três produtos de marca própria são produzidos em Portugal, sendo que, na área alimentar, esta marca representou 750 milhões de euros, com um crescimento superior a 20% nos últimos dois anos.


Conforme indicou à Lusa fonte oficial da MC, em 2021, no total de marcas do universo alimentar da Sonae, a quase totalidade dos clientes (99,26%) optou pela marca própria, “o que já vale 44% em quantidade na cesta média de um cliente que compre alimentar (marca própria e marca de fornecedor) nas lojas Continente”.


Em 1998, foi criado o Clube de Produtores Continente, que conta com 250 membros de Norte a Sul, tendo por objetivo valorizar os produtos nacionais, sendo que, no ano passado, representou 422 milhões de euros em compras feitas à produção nacional.


Já nos supermercados El Corte Inglès, os produtos comprados a produtores e fornecedores nacionais, sobretudo na categoria de perecíveis, têm um peso superior a 75%, percentagem que a marca quer aumentar.


Em termos de consumo, o El Corte Inglès revelou que os produtos nacionais são “cada vez mais procurados e valorizados pela sua reconhecida qualidade e até por questões de sustentabilidade”, embora o preço seja sempre tido em conta.


Na Mercadona, que tem 30 lojas abertas em Portugal e prevê investir 150 milhões de euros em mais 10, o volume de compras passou de 217 milhões de euros em 2019 para 500 milhões de euros em 2021, “um incremento de 130%, contando atualmente com 900 fornecedores portugueses”.


Por categoria, em 2021, a empresa comprou 300 toneladas de borrego, 350 toneladas de banana da Madeira e 4.200 toneladas de kiwi.


Nas lojas Minipreço, por seu turno, as compras de perecíveis, como frutas, verduras, pão, carne, peixe e ovos a fornecedores nacionais atingiram os 93,81% em 2021, mantendo-se a tendência nos primeiros anos de 2022, enquanto no restante universo de produtos disponibilizados nos supermercados o valor situou-se nos 81,21%.


“[…] A nossa experiência, fruto também da extensa penetração da nossa rede de lojas em todo o território nacional, diz-nos que os portugueses têm uma maior apetência pela aquisição de produtos nacionais, principalmente na área alimentar. Ainda que o preço seja uma preocupação constante e as dinâmicas promocionais que introduzimos nas várias categorias de produtos respondam a esse anseio, sentimos que os nossos clientes, perante situações idênticas, optam pelos produtos fabricados em Portugal”, referiu a diretora comercial da DIA Portugal, Helena Guedes.


Dados reportados ao final de dezembro de 2021 revelam que 82% das compras do grupo Jerónimo Martins, dono dos supermercados Pingo Doce e das lojas Recheio, em Portugal, são feitas a fornecedores locais.


“Desde 2012 que o grupo promove uma medida — única no retalho em Portugal — para apoiar os produtores nacionais membros da Confederação dos Agricultores de Portugal [CAP], antecipando para 10 dias, em média, o prazo de pagamento — a lei prevê 30 dias. Mais de 370 fornecedores já beneficiaram desta iniciativa”, lê-se numa informação disponibilizada no ‘site’ do grupo.


A Auchan trabalha com mais de 150 produtores locais, que produzem mais de 700 dos artigos comercializados na rede, sendo que, atualmente, cerca de 90% das compras de produtos alimentares da Auchan são feitas a fornecedores nacionais.


Em categorias como a garrafeira, avulso, cervejas, lácteos, pastelaria e talho, a percentagem ascende a 95%.


“No mercado dos frescos sentimos grande recetividade e essa tem sido, de resto, a grande aposta da Auchan, em particular nas frutas e verduras. Temos parcerias comerciais com mais de 30 produtores locais de frutas e verduras de todo o país, com entrega direta nas lojas e com um total de referências superior a 120”, referiu a Auchan Retail Portugal.


Por exemplo, nas lojas do Algarve, a Auchan tem entregas diretas de frutos tropicais, como banana, manga, papaia, mamão, anona e abacate, que, por norma, são importados do hemisfério Sul.


“Na Auchan damos sempre primazia aos fornecedores portugueses. Só optamos por fornecedores internacionais quando um determinado produto não se encontra em Portugal ou para complementar um diferente momento de comercialização”, concluiu.


A Lusa contactou também o Intermarché e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), mas não obteve resposta.


A riqueza criada pela agricultura ascendeu a 3.500 milhões de euros em 2021, valor que está em queda desde os anos 80, década em que gerava mais do dobro da riqueza atual, segundo dados compilados pela Pordata.


Por região, a agricultura tem maior relevância económica no Alentejo e nos Açores, representando 8,8% e 6,8% do produto interno bruto (PIB), respetivamente. No sentido oposto, a Área Metropolitana de Lisboa (AML) apresenta o menor peso (0,3% do PIB).


Os dados compilados pela Pordata concluem ainda que a agricultura tem cada vez menos trabalhadores: em 1989, Portugal tinha 1,5 milhões de agricultores, o equivalente a 16% da população residente, e, três décadas depois, tinha 650.000.


A remuneração média mensal dos trabalhadores por conta de outrem fixou-se em 1.042 euros em 2020, enquanto na agricultura e pesca foi de 823,1 euros.


O número de explorações agrícolas em Portugal caiu para metade nos últimos 30 anos, situando-se nos 300.000 em 2019.



PE // CSJ


Lusa/Fim

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