19 Setembro 2021, 03:36

Projeto propõe descoberta dos “pontos escondidos” do Centro Histórico de Gaia

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

«Walkingaia» é o nome do projeto de uma designer que trabalha em Vila Nova de Gaia e se propôs, com o apoio da Câmara, a mostrar os “pontos escondidos” do Centro Histórico.

“Na prática, criámos um circuito de pontos de interesse e pontos escondidos que mostram a história e fogem aos circuitos turísticos. Por vezes os turistas vão e voltam às caves [do Vinho do Porto] e não vivem o território ou a experiência de andar a deambular pelas ruas e a cruzar-se com as pessoas que cá vivem, a ver o rosto de quem cá permanece, de pessoas que ainda têm muita história para contar”, descreveu Alexandra Cabral.

Autora do «Walkingaia», a designer que trabalha na empresa municipal Gaiurb – Urbanismo e Habitação, apresentou a ideia à Câmara que a incluiu em candidaturas ao Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e decidiu pôr o projeto em prática em julho, altura em que durante três dias mais de uma dezena de «instragramers» nacionais e estrangeiros vão circular pelo Centro Histórico para fotografar e fazer vídeos, promovendo o território.

“Escolhemos fazer o convite a «instragramers» [pessoas que partilham os seus trabalhos através da rede social Instagram que é dedicada sobretudo à fotografia] porque o nosso objetivo é cativar um público jovem e dinâmico”, disse Alexandra Cabral.

Já informação enviada à agência Lusa indica que estes fotógrafos caminhantes são “influenciadores digitais com uma audiência acumulada de mais de um milhão de seguidores” que vão “descobrir e promover a singularidade de Vila Nova de Gaia, explorando lugares, identidade e património”.

O evento decorrerá de sexta-feira a domingo e estão convidados vários «instagramers» nacionais e estrangeiros.

“Sabia que existiu em Vila Nova de Gaia, algures entre a década de 80 dos anos 1800 e a de 50 dos anos 1900, um mecanismo, espécie de elevador, que unia as duas cotas entre o Centro Histórico, mais propriamente a antiga Calçada das Freiras [agora Rua Serpa Pinto], e a estação das Devesas?” – esta podia ser uma das perguntas do desafio «Walkingaia», em português «Caminhar em Gaia».

Percurso pode ser alargado

Ao todo são oito os pontos já preparados no Centro Histórico de Gaia, mas o circuito poderá ganhar mais locais ao longo do mês, indicou Alexandra Cabral, não querendo desvendar muito mais sobre os tais “locais escondidos”.

“Não posso dar os pormenores todos. O objetivo é levar os visitantes a percorrer as ruas, a deambular sem pressa, a fazê-lo a diferentes ritmos”, referiu.

Para isso estarão espalhados “pequenos pontos de orientação, suportes discretos e colunas de informação” que contam a história, ou seja “a identidade material e imaterial do território”.

O circuito inclui referências à identidade de algumas personalidades que viveram no Centro Histórico de Gaia.

Soma-se uma aplicação móvel que terá como missão ajudar quem pretenda aderir a decidir se quer percorrer o local de bicicleta ou a pé, ou com o auxílio de outro meio de mobilidade suave.

Alexandra Cabral também destacou a “preocupação com a mobilidade inclusiva”, uma vez que a aplicação inclui alertas para os locais onde não é possível aceder de cadeira de rodas ou com carrinho de bebé, sendo dadas alternativas de trajeto.

O «Walkingaia» partiu do trabalho de doutoramento que a designer completou em 2018 na Faculdade de Belas Artes do Porto.

Este é um projeto promovido pela Câmara de Vila Nova de Gaia, enquanto a Gaiurb contribui com a componente ligada ao urbanismo.

“Quisemos fugir à habitual abordagem superficial do território que os movimentos turísticos provocam e aprofundar um conhecimento mais intrínseco do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia (…). Mantemos o propósito de promoção do destino além fronteiras mas desfocamo-nos dos lugares mais conhecidos e chamamos a atenção para tudo o que os rodeia”, destaca o presidente da Gaiurb, António Miguel Castro, citado em comunicado.

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