07 Julho 2022, 05:25

Projeto “Set-up” quer criar arquivo sonoro e visual “vivo” da dança portuguesa

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 05 fev 2022 (Lusa) — O projeto “Set-up” quer criar um arquivo sonoro e visual “vivo” sobre a história e percurso profissional de figuras da dança contemporânea portuguesa, colocando ‘online’ um “perfil humano” de criadores como Vera Mantero, Rui Horta e Olga Roriz.


“A ideia foi formar um pequeno arquivo vivo que aproximasse o personagem-criador – coreógrafo e performer – do público em geral, e criar um outro olhar para perceber quem são estas pessoas, que tipo de trabalho fazem, e qual foi o seu percurso”, explicou à agência Lusa Ana Rocha, uma das responsáveis pelo projeto.


Criado pela associação Sekoia – Artes Performativas, com sede em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, o projeto vai colocar ‘online’, a 18 de fevereiro, um conjunto de 15 entrevistas a alguns dos mais destacados coreógrafos da disciplina em Portugal.


“Set-up: Podcasts da dança contemporânea portuguesa” vai estar disponível, numa “primeira temporada”, a partir dessa data no ‘site’ da organização e também nas redes sociais Youtube, Spotify e Vimeo, de acesso livre e gratuito, segundo Gustavo Monteiro, da direção da Sekoia.


Carlota Lagido, Catarina Miranda, Filipa Francisco, Joana Castro, João dos Santos Martins, Joana von Mayer Trindade e Hugo Cristovão, José Laginha, Madalena Victorino, Francisco Camacho, Odete Ferreira, Sofia Dias & Vítor Roriz e Vânia Rovisco são os outros nomes integrados nesta primeira série, saindo mais tarde a entrevista a Joclécio Azevedo, em número zero.


Estas entrevistas “não têm a intenção de reunir um conteúdo científico, porque há outras plataformas de arquivo e mais especializadas, com esse foco, mas sim criar um projeto de caráter mais humano, para atrair outros tipos de visão e de espectadores”, sublinhou Ana Rocha, moderadora das entrevistas, colaboradora e consultora da Sekoia, na área da dança.


Os primeiros convidados representam diversas gerações e correntes artísticas que “falam dos seus percursos de vida com uma linguagem mais direta, num ambiente de diálogo, intimista, em estúdio”, descreveu a responsável.


O resultado deste “desafio muito interessante” das entrevistas com perguntas-base, baseadas em investigação, mas num enquadramento mais descontraído, é um podcast sobre dança “mais vivo”: “A palavra conversa é importante aqui, porque há uma série de perguntas comuns a todas as entrevistas, mas também é dada uma liberdade quase ilimitada ao entrevistado”, revelando elementos inscritos nos livros de dança contemporânea, mas também momentos da memória surgidos no momento.


Questionada sobre a escolha dos artistas, Ana Rocha diz que “não foi fácil”, mas procurou “algum equilíbrio, com a presença, desde criadores reconhecidos a nível nacional e internacional, até aos que estão a começar a despontar, e com um tipo de trabalho que vai para além da dança”.


O projeto “Set-up” tem também como objetivo final a promoção de debate em torno de alguns dos temas centrais da disciplina, assim como lançar a reflexão sobre o papel da dança contemporânea na sociedade portuguesa, “tentando realçar as diferentes abordagens dos profissionais à sua arte, e procurando respostas para um futuro culturalmente mais sustentável”.


Questionado sobre a continuidade do projeto, Gustavo Monteiro indicou que “depende de apoios e da adesão de parceiros”.


“Tivemos o apoio do Ministério da Cultura através do Garantir Cultura. Avançar depende da continuidade dessa sustentação, porque o nosso objetivo é representar aqui o máximo possível de coreógrafos portugueses”, disse à Lusa.


Porque “a dança é um trabalho efémero e é importante ouvir estes artistas para criar um registo”, acrescentou o membro da direção e co-programador da Sekoia – associação sem fins lucrativos criada em 2017, e que atua no campo da dança contemporânea e no seu cruzamento disciplinar com outras artes performativas, visuais, cinematográficas, literárias e o pensamento.


A pessoa, o artista, a sua arte e as mais-valias do seu trabalho para a sociedade vão estar em foco neste projeto cujo conteúdo cultural é de “informação e de fruição”, de forma a “criar um palco para expor a matéria-prima que compõe o tecido do panorama da dança contemporânea nacional”.


A equipa do projeto é ainda composta por elementos das áreas técnica, realização, arte e direção de arte, sonoplastia, como Frank Moreira, Henrique Rocha, Luisa Mota, Alexandre Mesquita, Daniel Costa, Diogo Costa e Lucas Neves.



AG // MAG


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