17 Setembro 2022, 15:27

Protestos na escolha de candidato presidencial do Partido Democrático timorense

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 22 jan 2022 (Lusa) — Protestos de vários delegados marcaram hoje a decisão de um de dois concorrentes do Partido Democrático (PD) se retirar da corrida, pouco antes de a Convenção Nacional do partido votar qual seria o candidato às presidenciais de março.


A retirada de Adriano do Nascimento, presidente da Comissão Política Nacional (CPN), levou automaticamente a que o presidente do partido, Mariano Sabino, acabasse como candidato do PD às eleições para o Presidente da República, cuja primeira volta decorre em 19 de março.


“A Convenção Nacional confirmou que Mariano Sabino é candidato presidencial do PD”, anunciou Antonio da Conceição, secretário-geral do partido, depois de uma decisão por aclamação das várias estruturas municipais.


No discurso de aceitação, Mariano Sabino recordou que a convenção pretendia confirmar a candidatura, e que isso poderia ocorrer tanto por consenso, como por votação.


“O PD cumpriu o mecanismo democrático. Mesmo quando um candidato se retira, cumpre-se o processo democrático. Como presidente do partido, orgulho-me do mecanismo que diz que a candidatura tem de ser confirmada em convenção”, sublinhou.


“Esta é uma candidatura que não é apenas para os militantes do PD, é para todo o povo, é uma candidatura nacional. O Presidente tem de ser legitimado pela maioria dos votantes e precisa de metade do apoio de todos os eleitores de Timor-Leste”, considerou.


Declarando orgulho e “uma vontade forte” de se candidatar, Mariano Sabino disse que “a democracia precisa de paciência” e “não se faz por declaração e proclamação, exigindo que seja posta em prática”.


“Este processo é um processo democrático. Sou um candidato oferecido pelo PD ao povo, para ser Presidente do povo”, insistiu.


Em declarações à Lusa, Adriano do Nascimento referiu-se à vontade de procurar consenso e evitar instabilidade partidária, manifestada por vários delegados.


“Durante a convenção ouvi sugestões de delegados de vários municípios de que se fossemos os dois a votos poderia pôr em questão a credibilidade do presidente do partido e do partido”, explicou à Lusa Adriano do Nascimento.


“Alguns participantes na convenção referiram que Assanami é a figura número um do partido e que com a votação poderia haver instabilidade e, para evitar essa possível instabilidade e tendo em conta os sentimentos que ouvi, decidi retirar-me”, disse.


Questionado sobre por que não retirou a sua candidatura antes, Adriano do Nascimento referiu-se às normas do partido que determinam que se houver mais do que um candidato a decisão deve ser tomada em Convenção Nacional.


“Mas dentro de cinco anos eu avanço, com ou sem o PD”, referiu.


A decisão de Adriano do Nascimento foi tomada depois de horas de debate e quando os delegados se preparavam já para votar, tendo sido mal recebida por muitos dos delegados presentes.


“Isto é uma brincadeira. Porque é que retirou a candidatura agora e não antes”, comentou um dos delegados.


Três urnas de cartão que já estavam preparadas para o voto, ao lado da mesa da convenção, foram retiradas para que os delegados municipais debatessem a retirada.


Esta será a quarta vez que o PD apresentará candidatos às eleições presidenciais, depois das candidaturas do líder histórico do partido, Fernando Lasama de Araújo, em 2007 e 2012, e da candidatura em 2017 do secretário-geral, António da Conceição.


O melhor resultado do partido foi o obtido há cinco anos por António da Conceição, o segundo mais votado com 32,47% dos votos, derrotado pelo atual chefe de Estado, Francisco Guterres Lú-Olo, que tinha o apoio do seu partido, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e ainda o de Xanana Gusmão e do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT).


Em 2007, Lasama conseguiu 19,18% dos votos e foi o terceiro mais votado na primeira volta das presidenciais, tendo cinco anos depois ficado em quarto lugar, com 17,3% dos votos.


A primeira volta das eleições presidenciais que escolherão o quinto presidente do país desde a restauração da independência, em 2002, decorre em 19 de março, com o período de registo de candidaturas a decorrer até 04 de fevereiro e a campanha a realizar-se entre 02 e 16 de março.


 


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