04 Dezembro 2021, 22:56

PRR: Parlamento açoriano aprova comissão de inquérito às candidaturas a 117ME

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Horta, Açores, 22 out 2021 (Lusa) — O parlamento açoriano aprovou hoje por unanimidade criar uma comissão de inquérito às candidaturas a 117 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), canceladas pelo Governo Regional, tendo vários deputados alertado que as Agendas Mobilizadoras acabaram.


“As Agendas Mobilizadoras [designação do concurso de ideias lançado pela República em julho para empresas açorianas em determinadas áreas] acabaram. O dinheiro que se mantém [após o Governo Regional decidir reiniciar o processo] tem o inconveniente de poder ser usado para outras coisas. Só daqui a um ano saberemos se se mantêm as áreas contempladas pelas Agendas”, frisou o deputado do PS Vasco Cordeiro.


Também o BE, o PAN e a Iniciativa Liberal partilharam o reparo sobre a impossibilidade de retoma das candidaturas, depois de o secretário regional das Finanças, Joaquim Bastos e Silva, ter dito que foi “confirmado pelo presidente do Governo [PSD/CDS-PP/PPM], com o ministro do Planeamento, que o Governo da República está a preparar novos financiamentos”.


O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, revelou na quarta-feira que as candidaturas de empresas açorianas a 117 milhões de euros das Agendas Mobilizadoras do PRR iam começar do zero, com a garantia de não se perder um cêntimo.


O deputado do PS Sérgio Ávila questionou o secretário regional das Finanças sobre o tema, tendo concluído “que processo não voltou à estaca zero”.


“Não há, hoje, possibilidade de recomeçar as agendas mobilizadoras. É preciso não gerar expectativas indevidas as empresas e empresários”, disse.


António Lima, deputado do BE, alertou hoje que “este é um recomeçar do zero parcial”.


“Começa-se do zero no dinheiro, não na modalidade do acordo. Mais uma vez, este governo fala e não diz tudo. Quando fala sobre este assunto, nunca diz tudo. É preciso que os empresários saibam como podem aceder” às verbas, frisou.


“Não vale a pena criar expectativas quando não se conhece forma de aceder a esses fundos. Esperava-se do Governo que explicasse quais os próximos passos. Ficámos apenas com a possível data de início de 2022”, notou.


Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, chamou também a atenção para “não gerar falsas expectativas”, indicando que “o aviso [das Agendas Mobilizadoras] ainda está aberto”, mas o dinheiro “já se perdeu, de forma lamentável”.


Lembrando que o presidente do Governo Regional disse que “não se perde um cêntimo”, o deputado do PAN Pedro Neves avisou: “Podemos não perder um cêntimo, mas o processo não é o mesmo”.


Interpelado pelos partidos do Governo a interceder junto do Governo da República sobre esta matéria, Vasco Cordeiro recomendou ao executivo “que confirme os valores em causa” porque “talvez 1% [montante do PRR para os Açores gerido pela República] não sejam 117 milhões de euros, mas 140 milhões de euros”.


Por seu lado, o presidente da bancada do PSD, João Bruto da Costa, manifestou o “total apoio” à comissão de inquérito, porque “quem não deve não teme”.


Já Rui Martins, do CDS, manifestou a postura “implacável” daquele partido pela “transparência”, indicando a importância da comissão de inquérito, “até para perceber as responsabilidades do Governo da República nesta matéria”.


Paulo Estêvão, do PPM, elogiou a comissão de inquérito porque, “tendo em conta as suspeições levantadas, elas têm de ser provadas”.


Pelo Chega, José Pacheco defendeu a comissão para “pôr fim a toda esta trapalhada”.


O deputado independente Carlos Furtado considerou também que “nem tudo está esclarecido” e frisou que “não estamos a voltar à estaca zero”, mas a “estreitar o leque de oportunidades” das empresas açorianas.


O presidente do Governo disse hoje na Assembleia Legislativa dos Açores aceitar “com plenitude de cidadania que, perante o desconhecimento gerador de curiosidade, o processo possa ter o seu tempo para informação, comunicação, formação de conhecimento e envolvimento geral sobre os meios e oportunidades colocadas ao dispor da economia”.


“Terá sido esse o problema que tenha prevalecido nesta iniciativa — falta de informação, comunicação e de tempo para o envolvimento geral de todos os atores e coautores desta oportunidade”, indicou.


O governante disse que, “perante o clima de suspeição, era inaceitável, sob o ponto de vista do Governo, caminhar um futuro de novas oportunidades”.


“Por isso, acompanhei que pudéssemos reorientar e recomeçar com o esclarecimento e comunicação necessária”, afirmou.



ACG // MCL


Lusa/fim

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