05 Agosto 2022, 04:11

O grande engodo – Pedro Neves de Sousa

Pedro Neves de Sousa AutorBlocked
Advogado e Docente do Ensino Superior | Ex-líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia

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Atualmente, quem vive e trabalha em Portugal tem um rendimento real cada vez mais baixo e assiste a uma degradação galopante – e aparentemente irreversível – dos serviços públicos.

Sou um democrata. Com todas as suas imperfeições, a democracia continua a ser o regime político mais justo, mas como afirmou Churcill, é igualmente o mais exigente.

Respeitar opiniões diferentes, ver o mundo de forma distinta e percecionar a evolução da sociedade são exercícios complexos que não estão isentos de dificuldades e de inevitáveis conflitos retóricos.

Exercer o poder em democracia é, pois, um desafio.

Verificando-se uma maioria relativa, o Governo é obrigado a negociar com os outros partidos. Em caso de maioria absoluta, a profundidade dos conceitos democráticos e do respeito pela pluralidade de posições pode ser colocada em causa, principalmente nos casos em que um dos partidos logra conquistar mais de 115 mandatos na Assembleia da República.

O caso português é paradigmático.

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No último debate quinzenal, foi-nos apresentado um primeiro-ministro sem filtros, normalizando situações inaceitáveis, não respeitando as questões legitimamente colocadas pelos deputados da Oposição e refugiando-se até no argumento pueril e matreiro do resultado alcançado no passado dia 30 de janeiro.

Ora, um dos principais perigos do poder é o deslumbramento dos agentes políticos, a perda de humildade democrática e o progressivo desligamento com a realidade.
Atualmente, quem vive e trabalha em Portugal tem um rendimento real cada vez mais baixo e assiste a uma degradação galopante – e aparentemente irreversível – dos serviços públicos.

Basta ir fazer as compras domésticas ao supermercado habitual ou abastecer o depósito da viatura para percebermos que a carteira fica substancialmente mais leve.
Os tribunais e as escolas têm uma falta notória de recursos humanos, gerando constrangimentos constantes, muitas das vezes disfarçados pelo trabalho esforçado de funcionários diligentes.

Mas o caso mais grave vive-se no sector da saúde, no qual assistimos a uma situação indigna para todos os portugueses que trabalham e suportam uma carga fiscal asfixiante. A falta de médicos e de enfermeiros, o recente e inadmissível encerramento temporário de serviços de genecologia e obstetrícia por todo o País são sinais evidentes de que a falta de qualidade dos serviços públicos de saúde é absolutamente dramática e que não existiu um plano por parte de quem nos governa. Hoje, há mais portugueses sem médico de família do que em 2015, quando se iniciou a governação socialista liderada por António Costa.

Mas se nos afastarmos da realidade e nos concentrarmos apenas nas palavras do nosso primeiro-ministro, o Serviço Nacional de Saúde tem sido objeto da atenção do Governo e por estes dias vive-se melhor em Portugal, o que, para ser simpático, é um engodo de todo o tamanho.

Na verdade, a visão otimista do Governo choca frontalmente com a dura realidade vivida pelos portugueses, que começam a perder a esperança numa vida melhor quando recebem a próxima fatura ou tributo para pagar.

António Costa é um sobrevivente da política portuguesa. Ascendeu à liderança do Governo rompendo com uma tradição parlamentar, crucificando um Governo que salvou o País da bancarrota deixada por um Governo socialista e anunciando que tinha derrubado os muros à esquerda (a mesma esquerda que hoje censura com dureza nos debates quinzenais). Veremos se um dia não acaba atropelado pela sua própria habilidade.

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