09 Setembro 2022, 06:50

Quercus quer avaliação independente do fogo na Serra da Estrela

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 12 ago 2022 (Lusa) — A associação ambientalista Quercus pediu hoje uma avaliação independente ao incêndio na Serra da Estrela e questionou qual foi a intervenção da AGIF — Agência para a Gestão Integrada dos Fogos face a criticas à descoordenação de meios.


Em comunicado, perante as críticas ao desempenho sobre a coordenação dos meios, a Quercus questiona qual foi a intervenção da AGIF – criada para melhorar a atuação do sistema de prevenção e combate aos fogos – e lembra que, devido à destruição da vegetação nas encostas, sobretudo no vale do Zêzere, “os fenómenos de erosão com arrastamento de materiais vão ser problemáticos”.


A associação considera importante fazer-se “uma avaliação independente sobre este incêndio”, para que fique claro o que deve ser melhorado para o futuro, e defende que deve haver prioridade máxima para a definição, antes do inverno, de medidas de emergência na gestão pós-fogo.


A Quercus diz estar a acompanhar “com preocupação” a evolução do incêndio que está a devastar parte do Parque Natural da Serra da Estrela e que, segundo o Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (EFFIS), já terá destruído mais de 14.000 hectares.


O incêndio, que deflagrou no sábado, na Covilhã, já avançou pela Serra da Estrela até aos concelhos de Manteigas, Guarda, Gouveia e Celorico da Beira.


Os ambientalistas da Quercus sublinham que o incêndio já afetou florestas e habitats biodiversos do Parque Natural da Serra da Estrela, Zona Especial de Conservação da Rede Natura, assim como geossítios do Estrela Geopark da UNESCO, e que terá “impactes severos sobre a flora, fauna, território e populações”.


“Os pinhais têm sido bastante afetados, assim como os matos dominados por piornais, urzais e caldoneirais”, insiste a Quercus, apontando as áreas com povoamentos de castanheiros, carvalhos-alvarinhos e faias no concelho de Manteigas, “que foram pouco afetados por terem baixa combustibilidade e, portanto, serem mais resilientes ao fogo”.


“Devemos aprender com estas lições, para reordenar a paisagem”, sublinha a associação, que acrescenta que o teixo, “árvore ameaçada que ocorre em Portugal apenas em parte da Serra da Estrela e Serra do Gerês”, tem salvaguardado o núcleo mais importante até agora.


“Entre a biodiversidade da fauna, pode-se destacar a lagartixa-de-montanha e a salamandra-lusitânica, endemismos ibéricos que apenas ocorrem no noroeste da Península Ibérica e que tem o seu habitat destruído pelo fogo”, lembra.


Na nota, a associação defende igualmente que devem ser criadas condições para a pequena agricultura e pecuária, “com a remuneração dos serviços ecossistémicos locais”, que considera “essenciais para a fixação da população nestes territórios de montanha, mantendo a biodiversidade”.


Segundo a informação disponível no ‘site’ da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 10:50 estavam a combater o incêndio, que deflagrou às 03:18 de sábado na localidade de Garrocho (Covilhã), 1.642 elementos, apoiados por 488 veículos e 14 meios aéreos.



SO // SB


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