19 Junho 2021, 04:06

“Quero chegar a Tóquio na melhor forma e bater o recorde nacional” – Ana Catarina Monteiro

Susana Faria AdministratorKeymaster

Ana Catarina Monteiro é nadadora no Clube Fluvial de Vilacondense desde os sete anos e há 20 anos que acalenta o sonho de participar nos Jogos Olímpicos. Parecia distante e quase impossível, mas a atleta mostrou que os sonhos são feitos para serem realizados e conseguiu o grande objetivo da carreira. Em entrevista ao Mundo Atual, antevê a estreia nas Olimpíadas de Tóquio, explica o orgulho que sente por representar Portugal e revela as adversidades que teve que ultrapassar até chegar à mais importante competição do Mundo.

Após alguns anos de luta, o tão desejado apuramento chegou em 2019. Qual é a sensação?
Em março de 2019, na primeira oportunidade, consegui atingir os mínimos para os Jogos Olímpicos de Tóquio e foi muito importante tê-lo conseguido logo porque permitiu que me concentrasse apenas nesse objetivo. Ter conseguido o apuramento foi uma sensação incrível. Ainda não tenho palavras para descrever o que vivi naquele dia. Foi em Coimbra, num Campeonato Nacional, e tinha comigo as pessoas que sempre me acompanharam e toda a gente no recinto a puxar por mim. Todos os obstáculos que ultrapassei valeram a pena.

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Sentia que estava perto desse objetivo ou não pensava muito nisso?
Entrei no campeonato com esse objetivo na mente. Sentia-me bem e em forma. Sabia que seria difícil pelo facto de nadar sozinha, mas trabalhei muito para isso. Por outro lado, a pressão não era muito grande, devido ao facto de ser a primeira oportunidade de muitas que teria. Desfrutei muito do momento e as coisas saíram bem.

O que é para si representar o nosso País em Tóquio?
É um orgulho imenso. Os Jogos Olímpicos são a competição máxima do desporto. Toda a gente sonha um dia poder lá chegar e sou uma privilegiada, porque conquistei o meu lugar. Dá-nos uma motivação enorme e vontade de fazer sempre melhor.

Quais são, então, os objetivos para os Jogos Olímpicos?
Não posso controlar o que fazem as outras atletas, por isso quero chegar lá na minha melhor forma e bater o recorde nacional. Se conseguir fazer isso, os objetivos estão 100% cumpridos. Chegar a uma meia-final é uma grande ambição e lutar por uma final, que é muito difícil, tendo em conta o lugar em que me encontro no ranking e o nível das outras atletas, é um sonho e tenho de lutar por ele. Não marcamos presença numa final de uma edição de Jogos Olímpicos na modalidade de natação há mais de 30 anos. Uma final seria um sonho e lutar por medalhas não está na realidade da natação. Temos de ter os pés na terra e conhecer a nossa realidade. As meias-finais já são boas posições para Portugal.

Faltam cerca de dois meses para os Jogos. Tem algum receio ou está tranquila?
Estou tranquila. Tendo em conta todos os altos e baixos, acho que estou preparada e bastante estável. O Campeonato da Europa em que participei este mês (maio) foi muito bom e ajudou-me muito, porque já não competia a este nível desde julho de 2019 e deu-me boas sensações. Dia 10 de julho partimos para o Japão, mais precisamente para Nagasaki, para um estágio inicial. Por enquanto, estou a desfrutar do processo.

A escolha entre o ballet e a natação

E como é que surgiu a paixão pela natação?
Foi de uma forma muito natural. Entrei na natação aos três anos por uma questão de segurança, para estar à vontade no meio aquático. Aos sete integrei o Clube Fluvial Vilacondense. Entrei no clube não por querer seguir a competição, mas porque tinha alguns amigos e recebi um convite para entrar na equipa da pré-competição e as coisas foram fluindo.

“Uma final seria um sonho e lutar por medalhas não está na realidade da natação. Temos de ter os pés na terra e conhecer a nossa realidade.”

Também praticava ballet, certo?
Até aos doze anos pratiquei ballet. Houve um momento em que tive de escolher, porque não tinha tempo para tudo. Optei pela natação e, olhando para trás, tenho a certeza de que foi a escolha certa.

Quando é que começou a competir?
Temos os vários escalões, começamos na pré-competição e depois cadetes e juvenis. Nos juvenis foi quando tive a minha primeira chamada à Seleção Nacional, mas era tudo muito novo. Não imaginava que um dia chegaria aos Jogos Olímpicos. Gostava de treinar e de competir. Queria sempre fazer melhor e foi nisso que se baseou o meu percurso.

Aos 19 anos, atingiu os mínimos B de acesso aos Jogos Olímpicos de Londres. Não conseguiu o acesso, mas ter estado tão perto marcou de alguma forma a sua carreira?
Atingir os mínimos B fez-me acreditar que poderia treinar para chegar aos mínimos A. Começar a participar em Campeonatos da Europa e Campeonatos Nacionais foi uma motivação extra. Nesse ano, em 2012 estava no meu primeiro
ano da universidade e fez-me perceber que se calhar queria algo mais. E foi aí que entendi que sim, era uma atleta de alto rendimento.

Não conseguiu chegar à final das provas de 200 metros mariposa dos Europeus de Natação de 2021. O que tira dessa experiência?
Este campeonato da Europa era um bom momento de avaliação. Trocaram-me as voltas e fiquei infetada com Covid-19 a menos de um mês do campeonato, o que fez com que mudasse os meus objetivos e passasse a focar-me em Tóquio. As sensações foram muito boas, fui nona classificada, a duas décimas de entrar na final. Isso dá sempre um sabor amargo, mas acho que os resultados foram benéficos e estou no caminho certo.

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