29 Janeiro 2022, 00:55

Rei de Espanha pede diálogo diante da divisão e fidelidade à Constituição

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Madrid, 24 dez 2021 (Lusa) — O rei Felipe VI de Espanha apelou hoje à “unidade face à divisão e confrontação” e pediu “respeito, reconhecimento e lealdade” à Constituição por ser a “viga mestra” que impulsionou o progresso dos últimos 40 anos no país.


Na mensagem de Natal, o monarca espanhol não mencionou o nome do pai, Juan Carlos, que se encontra fora do país pelo segundo ano consecutivo e que aguarda um possível regresso a Madrid no caso de o Supremo Tribunal de Justiça decidir arquivar a investigação de que é alvo.


No entanto, Felipe VI assegurou que as instituições, bem como a Coroa espanhola, têm de “respeitar e cumprir as leis”, bem como ser “um exemplo de integridade pública e moral”.


No oitavo discurso proferido desde que subiu ao trono, transmitido pela televisão a partir do palácio da Zarzuela, Felipe VI centrou-se também na pandemia e na recuperação económica e social, mas também destacou o papel dos que detêm cargos institucionais, a quem apelou para terem “sempre presente os interesses gerais e pensar nos cidadãos” para resolver os seus problemas.


“Devemos estar no lugar que constitucionalmente nos corresponde. Assumam, cada um, as obrigações que lhes confiamos: respeitar e cumprir as leis e ser exemplo de integridade pública e moral”, proclamou, sublinhando que, para tal, “a compreensão e a colaboração são atitudes necessárias que os dignificam e, mais ainda, os fortalecem” perante o público.


Para Felipe VI, as diferenças de opinião “não devem impedir consensos” que garantam maior estabilidade, maior bem-estar e proporcionem às famílias a tranquilidade necessária para o futuro.


O monarca espanhol lembrou que o que se conquistou em democracia “não foi por acaso”, deveu-se “ao sentido da história, aos grandes acordos, à generosidade, à responsabilidade e à visão de futuro”, tudo simbolizado pela Constituição.


“O espírito da Constituição chama-nos à unidade diante da divisão, ao diálogo e não ao confronto, ao respeito diante do rancor, ao espírito integrador diante da exclusão”, sustentou.


“Convoca-nos permanentemente a uma convivência cívica, serena e livre”, concluiu o rei, cuja mensagem coincidiu num contexto de polarização e tensão política e de falta de acordo entre os dois grandes partidos, o Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Popular (PP).


O rei admitiu que o atual cenário global, marcado por fatores como a pandemia, novas tecnologias ou instabilidade, é “cheio de incertezas e contrastes”, defendendo que as pessoas “não devem deixar-se levar pelo pessimismo ou pelo conformismo, à espera de que os problemas se resolvam”.


Felipe VI mostrou-se satisfeito com o crescimento da economia e com a recuperação da grande maioria dos empregos, embora tenha defendido trabalho “estável e decente”, sobretudo para os jovens.


Apesar da mudança de ciclo, lamentou que o número de pessoas em situação de vulnerabilidade tenha aumentado e fez eco da “preocupação” de muitos agregados familiares com a subida dos preços e do custo da energia.


Sobre a evolução da pandemia, o monarca espanhol pediu para “tudo se fazer para controlar” o vírus, lembrando que “o risco não desapareceu” e que é preciso continuar a agir com “responsabilidade coletiva”.


“O vírus ainda tem a capacidade de nos prejudicar”, alertou Felipe VI, que, no entanto, observou que, em relação ao Natal anterior, a situação é “diferente” e os avanços foram feitos “substancialmente” graças ao processo de vacinação, do qual os espanhóis podem se sentir “especialmente satisfeitos”.


O rei lembrou-se das vítimas da pandemia – cerca de 88.800 mortos desde março de 2020, segundo os dados oficiais – e voltou a homenagear o pessoal de saúde.


Na intervenção, Felipe VI dedicou as primeiras palavras para expressar solidariedade e apoio aos habitantes de La Palma, onde a erupção vulcânica foi, até agora, a mais longa de que há registo na ilha, tendo destruído cerca de 3.000 edifícios, enterrado com lava uma grande área de terrenos agrícolas e forçado vários milhares de pessoas a abandonar as casas onde residiam.


Não há, no entanto, qualquer registo de ferimentos ou mortes relacionadas diretamente com a erupção na ilha habitada por 80.000 pessoas.


 


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