14 Maio 2022, 03:20

Requalificação da rede viária é a maior preocupação

©Amândia Queirós | Mundo Atual
Susana Faria AdministratorKeymaster

Entrevista a:

César Rodrigues
Presidente da União de Freguesias de Grijó e Sermonde

César Rodrigues assumiu, em 2013 a liderança da União das Freguesias de Grijó e Sermonde com a difícil tarefa de colocar as contas em ordem, depois de «herdar» dívidas a rondar os 450 mil euros, e de unir duas freguesias distintas. No último mandato, um dos grandes desafios que tem pela frente é a requalificação da rede viária, o que considera ser o maior problema das freguesias. Defensor da desagregação das freguesias, numa altura em que o assunto volta a estar em cima da mesa, o presidente quer dar voz à população para, posteriormente, trabalhar numa possível “resolução”.

Chegado ao último mandato, quais são ainda as necessidades de ambas as freguesias?
Os principais problemas que temos dizem respeito à rede viária. A rede viária é, sem dúvida, o «cancro» das freguesias. Quem assumir o cargo no final do meu mandato, terá de continuar a trabalhar este problema. A área social de Grijó está muito bem trabalhada, em Sermonde podia estar ainda melhor, mas como estamos em União de Freguesias acabam por estar no mesmo pacote.

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Porque é que a rede viária é um problema?
As estradas estiveram durante muito tempo abandonadas e o preço por esse abandono é alto. É necessário um grande investimento para a requalificação.

E quais os principais projetos que a autarquia tem?
Na última sessão de presidência aberta apresentámos alguns projetos ao Município. Queremos requalificar a sede da Junta de Sermonde para criarmos uma ludoteca, um espaço agradável e distinto. Se a desagregação de freguesias avançar, a sede tem de ter condições para receber as pessoas. Em Grijó, queremos também criar uma ludoteca e um espaço juventude, sem esquecer o projeto da Capela Mortuária de Grijó. Temos ainda muitos projetos para serem concretizados.

Falou na desagregação de freguesias. Qual é a sua opinião sobre isso?
Em 2013, fui contra esta agregação e a partir daí, em todas as campanhas políticas, defendi a desagregação. Tendenciosamente, somos pela desagregação, mas vamos ouvir a população e fazer o que ficar decidido.

© Amândia Queirós | Mundo Atual

Quando é que será dada voz à população?
No mês de abril vamos começar a trabalhar no assunto. Vamos, primeiro, fazer uma Assembleia de Freguesia para abordarmos o tema da desagregação e ouvirmos a opinião das pessoas para, posteriormente, trabalharmos na resolução.

Em que fase está o projeto do novo Centro de Saúde de Grijó?
A ideia para a criação do Centro de Saúde de Grijó é nossa, mas não somos nós que a vamos implementar. A Administração Regional de Saúde do Norte está, neste momento, a desenvolver o projeto para ser implementado num terreno cedido para Câmara, onde será também o Centro Cívico de Grijó.

A pandemia obrigou a cancelar muitos projetos?
Posso dizer que apareceram novos projeto com a pandemia! O grande problema foi o cancelamento das atividades culturais e o facto de não haver ainda datas para uma possível retoma. O objetivo é lançarmos as «Noites de Verão», os passeios da Terceira Idade, as colónias balneares e as férias desportivas, mas ainda tenho receio de dizer que vamos fazer e depois sermos obrigados a cancelar tudo.

Como é que está a correr o projeto do metrobus?
Está a correr muito bem. Cada vez temos mais pessoas a usar este serviço que ainda gratuito, mas vai passar a funcionar em parceria com o Andante. Começou como uma experiência piloto, apenas com duas ou três pessoas no autocarro e agora, nos horários da manhã, não há lugares sentados suficientes para todos os passageiros.

Mas continua a haver falhas com a rede transportes…
Sim, continua a haver necessidades que não conseguimos cobrir. Por exemplo, o MOB+, para pessoas com mais de 60 anos, abrange a totalidade das duas freguesias e a maior parte dos transportes que são solicitados têm como destino o Hospital de Gaia. Este tipo de transportes vai ser o futuro e as juntas vão ter um papel importante.

Expandir o serviço do MOB+ é um objetivo?
Sim, já fizemos mais de 900 viagens. Queremos ter duas carrinhas para fazermos os serviços que as pessoas requisitam e queremos também abranger todas as idades.

“O dia em que tomei posse foi o mais difícil”

Para além da política, que outras atividades o preenchem?
O desporto é, sem dúvida, algo que me preenche. E claro, o tempo que dedico à minha família.

Se pudesse definir Grijó e Sermonde numa só palavra qual escolheria?
Acho que o nosso logotipo faz isso da melhor maneira possível. Terra de encanto e história.

Qual o momento mais difícil que teve à frente da União de Freguesias?
O dia em que tomei posse porque coincidiu com a «entrega» de dívidas da freguesia de Grijó… Eram 430 mil euros de dívida, o equivalente ao que íamos receber do Estado em quatro anos. Nunca vou esquecer esse momento. Lembro-me de me sentar numas escadas e ficar sem reação ao ver aqueles números. Neste momento, ainda temos dívidas para pagar.

Arrepende-se de alguma escolha que fez?
Não, não me arrependo de nada. Se faria coisas diferentes? Sim, mas sem arrependimentos. Tenho um excelente grupo de trabalho. Os funcionários são a primeira cara da Junta e fazem com que o nosso trabalho melhore diariamente.

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