04 Julho 2022, 02:49

Retiradas milhares de pessoas devido a piores cheias das últimas décadas na Austrália

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Camberra, 01 mar 2022 (Lusa) — Dezenas de milhares de pessoas receberam ordem para saírem de casa até hoje, na sequência das chuvas torrenciais que inundaram grandes extensões da costa sudeste da Austrália, disseram as autoridades.


A região enfrenta as piores cheias das últimas décadas, que já causaram pelo menos nove mortos.


Vários moradores, alguns acompanhados de animais de estimação, passaram nos últimos dias horas retidos nos telhados de casa, para fazer face à rápida subida do rio na cidade de Lismore, no estado da Nova Gales do Sul.


Na cidade vizinha de Woodburn, dezenas de carros ficaram presos numa ponte, na segunda-feira à noite. Cerca de meia centena de pessoas foram retiradas do local no dia seguinte pela manhã, disseram as autoridades.


As cheias estão deslocar-se do estado de Queensland para sul, em direção ao estado de Nova Gales do Sul, naquela que é já a pior catástrofe na região desde as inundações de 2011.


O responsável do governo de Nova Gales do Sul, Dominic Perrottet, afirmou que foram organizados, até agora, mil resgates no estado, e recebidos mais de seis mil pedidos de ajuda.


Perrottet notou que 40 mil pessoas receberam ordem para abandonarem as suas casas, enquanto outras 300 mil foram colocadas sob alerta de retirada.


“Faremos tudo o que pudermos para manter todos em segurança”, disse Perrottet.


O meteorologista Jonathan Howe, que trabalha para o Governo australiano, descreveu a dimensão das recentes chuvas no norte de Nova Gales do Sul e no sul de Queensland como “astronómica”.


Esta semana, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU indicou que a precipitação diminuiu em vastas extensões da Austrália em 20%, e que o risco de incêndios no país superou os piores cenários dos últimos anos.


O ano mais quente e seco da Austrália de que há memória foi 2019, com incêndios a devastar o sudeste do país. Os incêndios mataram diretamente 33 pessoas, sendo que 400 pessoas morreram por inalação de fumo.


Os fogos também destruíram mais de três mil casas e arrasaram 19 milhões de hectares de solo arável e florestas.


Lesley Hughes, académica australiana e autora dos relatórios de avaliação do IPCC, de 2007 e de 2015, defendeu que as mudanças climáticas vão sobrecarregar os sistemas de resposta governamentais.


“Podemos ver que nossos serviços de emergência já se debatem para lidar com as inundações no norte de Nova Gales do Sul, com pessoas retidas nos telhados sem comida ao longo de mais de 24 horas”, disse Hughes.



CAD // EJ


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