22 Maio 2022, 23:37

Rússia anuncia cessar-fogo de três dias em Azovstal para retirar civis

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 05 mai 2022 (Lusa) — A Rússia anunciou na noite de hoje um cessar-fogo de três dias no complexo metalúrgico de Azovstal, na cidade portuária ucraniana de Mariupol, abrindo um corredor humanitário para retirar civis.


“As forças armadas russas vão abrir um corredor humanitário das 08:00 às 18:00, horário de Moscovo [das 06:00 às 16:00, horário de Lisboa] nos dias 05, 06 e 07 de maio do local da fábrica metalúrgica de Azovstal para retirar civis”, adiantou o Ministério da Defesa russo em comunicado.


“Durante este período, as forças armadas russas e as unidades da República Popular de Donetsk [proclamada pelo Kremlin e pelos separatistas pró-russos] vão cessar-fogo e as hostilidades unilateralmente”, acrescentou.


Os civis que se refugiaram na fábrica vão poder chegar à Rússia ou aos territórios sob o controlo de Kiev, segundo o texto.


No início do dia, o presidente da Câmara Municipal de Mariupol, Vadim Boïtchenko, afirmou que “ataques violentos” estavam em progresso, embora Moscovo tenha garantido não invadir a metalúrgica.


Por seu lado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que ajude a “salvar” feridos em Azovstal.


Hoje, as tropas russas entraram no recinto do complexo industrial siderúrgico de Azovstal, na cidade ucraniana cercada de Mariupol, segundo o deputado e negociador ucraniano com a Rússia David Arahamiya, em declarações ao portal Ukrinform.


“As tropas [russas] já estão em território da empresa”, disse o chefe da delegação negocial ucraniana, indicando que as autoridades do país continuam em contacto com as tropas que resistem no complexo industrial novamente sob fogo russo.


Pouco antes, o presidente da câmara de Mariupol, Vadym Boychenko, tinha afirmado na televisão ucraniana que tinha sido perdido o contacto com os resistentes.


O Estado-Maior ucraniano, por seu lado, tinha anunciado que o exército russo iniciara hoje uma nova ofensiva, com apoio aéreo, para tentar tomar o controlo das instalações da siderurgia, onde estão refugiadas centenas de civis.


“Prosseguem o cerco e as tentativas para derrotar as nossas unidades do complexo de Azovstal. Em alguns pontos, os ataques contam com o apoio aéreo, com o objetivo de tomar o controlo da siderurgia. Sem êxito”, declarou o Estado-Maior num comunicado.


A câmara de Mariupol também alertou sobre estes novos ataques, recordando que naquele local continuam refugiadas centenas de civis, entre os quais 30 crianças, à espera de serem de lá retirados pelas equipas das agências humanitárias.


As autoridades ucranianas tentaram estabelecer hoje quatro pontos de recolha de cidadãos em Mariupol, mas advertiram de que a situação da segurança é “muito difícil”, nas palavras da vice-primeira-ministra, Iryna Vereshchuk.


Segundo Kiev, entre as ruínas da cercada cidade portuária do sudeste da Ucrânia, há mais de 10.000 habitantes sem água, comida, medicamentos e eletricidade.


A Rússia iniciou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar o país vizinho para segurança da Rússia -, condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.


Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, e a guerra, que entrou hoje no 70.º dia, causou até agora a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, mais de 5,5 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que a classifica como a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


A ONU confirmou hoje que 3.238 civis morreram e 3.397 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.



JML (ANC) // RBF


Lusa/Fim

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