17 Setembro 2022, 05:36

Rússia e Bielorrússia deixam processo educativo de Bolonha

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

As universidades da Rússia deixaram de participar no sistema educativo de Bolonha, na sequência do apoio dos reitores russos à invasão da Ucrânia, anunciou hoje o vice-ministro da Ciência e do Ensino Superior russo.

A decisão resulta da decisão do Grupo de Bolonha, de 11 de abril, de “suspender a representação da Rússia e da República da Bielorrússia de todas as entidades” do sistema europeu de ensino superior, disse Dmitry Afanasiev, citado pelas agências russas TASS e Ria-Novosti.

“Tendo em conta que os nossos reitores e chefes de organizações educacionais assinaram a declaração da União Russa de Reitores de apoio ao Presidente [Vladimir Putin] relativamente à operação especial [na Ucrânia], todas as organizações educacionais do país foram excluídas do processo de Bolonha”, afirmou.

Afanasiev disse que a Rússia não precisa de denunciar quaisquer acordos relativamente ao sistema educativo europeu.

“Eu diria que o Processo de Bolonha se retirou da Rússia, e não o contrário”, justificou, durante uma reunião do Conselho da Federação sobre ciência, educação e cultura.

No final de maio, o ministro da Ciência e do Ensino Superior russo, Valery Falkov, tinha anunciado que a Rússia se iria retirar do processo de Bolonha, a que chamou uma “fase da vida”, e que desenvolveria um sistema próprio de ensino superior.

“O nosso próprio sistema único de ensino baseado em interesses económicos nacionais e centrado na expansão das possibilidades para cada estudante é o futuro”, afirmou o ministro na altura.

O ministério disse que a mudança não será radical e que haverá um período de transição do sistema de Bolonha para o sistema russo.

Em março, a União Russa de Reitores manifestou o seu apoio à invasão da Ucrânia, lançada pela Rússia em 24 de fevereiro.

Numa declaração adotada em 11 de abril, o Grupo de Bolonha suspendeu os direitos de representação da Rússia e da Bielorrússia em todas as instituições e atividades do sistema educativo europeu devido à invasão da Ucrânia.

A Rússia aderiu ao sistema de Bolonha em 2003, e a Ucrânia em 2005.

Lançado em 1999, o Processo de Bolonha levou à criação do Espaço Europeu do Ensino Superior (EEES), que integrava até agora 49 países com “diferentes tradições políticas, culturais e académicas”, segundo a informação disponibilizada no respetivo portal.

Para fazerem parte, os países participantes têm de adotar reformas no ensino superior com base em valores comuns, “tais como a liberdade de expressão, autonomia das instituições, sindicatos estudantis independentes, liberdade académica, livre circulação de estudantes e de pessoal”, segundo o EEES.

O sistema prevê, entre outras questões, a livre circulação de estudantes, professores e pessoal de gestão, e o aumento da competitividade das universidades europeias no mercado educativo global.

Portugal integra o Processo de Bolonha desde 1999.

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