03 Julho 2022, 21:31

Rússia fecha delegação da radiotelevisão canadiana CBC

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 18 mai 2022 (Lusa) — A Rússia anunciou hoje o encerramento da delegação de Moscovo da radiotelevisão canadiana CBC e o cancelamento de acreditações e vistos dos seus jornalistas, em resposta à proibição de emissão de canais do grupo russo RT no Canadá.


É a primeira vez que Moscovo bane um órgão de comunicação social ocidental desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro. Três semanas antes, a Rússia tinha, contudo, fechado a alemã Deutsche Welle, em retaliação contra a proibição de transmissão da estação pró-Kremlin RT na Alemanha.


“Foi tomada a decisão de adotar medidas de retaliação às ações do Canadá — neste caso, trata-se do encerramento da delegação em Moscovo da radiotelevisão CBC, incluindo o cancelamento das acreditações e dos vistos dos seus jornalistas”, anunciou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.


Acusando o Governo canadiano de ter “adotado um rumo [político] abertamente russófobo”, a porta-voz afirmou, na sua conferência de imprensa semanal, que “a CBC se tinha tornado um megafone de propaganda” anti-russa.


Condenou ainda o apoio do Canadá à Ucrânia, antes e depois da ofensiva russa ao país vizinho.


O grupo canadiano CBC/Radio-Canada tinha anunciado no princípio de março que suspendia “temporariamente” o trabalho dos seus jornalistas na Rússia, devido à nova lei que previa penas de prisão em caso de divulgação de “informações falsas sobre o exército” a propósito da ofensiva russa na Ucrânia.


Além disso, em meados de março, o Canadá proibiu oficialmente as operadoras de cabo de distribuírem os canais de informação russos RT (ex-Russia Today) e RT France, considerando que a sua programação não era do “interesse do público”.


Também a União Europeia proibiu esses ‘media’ russos e outros, mas até agora Moscovo não adotou medidas de retaliação equivalentes contra o bloco comunitário.


A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 84.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas — cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,3 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.


A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.


A ONU confirmou hoje que 3.778 civis morreram e 4.186 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.



ANC // JH


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