14 Maio 2022, 23:40

Russos querem substituir moeda ucraniana pelo rublo em Kherson

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 28 abr 2022 (Lusa) — A administração russa que controla a cidade costeira ucraniana de Kherson vai substituir a moeda ucraniana pelo rublo a partir de domingo, 01 de maio, anunciou hoje um funcionário russo local.


“A partir de 01 de maio, passaremos à zona do rublo”, disse o vice-presidente da administração local russa, Kirill Stremooussov, citado pelas agências francesa AFP e espanhola EFE.


As duas moedas, hryvnia e rublo, poderão circular em paralelo durante um período de transição que poderá durar quatro meses, disse Stremooussov à televisão Rossiya-24, segundo a agência russa Ria Novosti.


“Depois disso, mudaremos completamente para pagamentos em rublo”, acrescentou.


A administração russa de Kherson foi criada após a tomada da cidade portuária do sul da Ucrânia pelas tropas de Moscovo, reclamada em 03 de março.


Situada próxima da Crimeia anexada por Moscovo em 2014, Kherson é a primeira e até agora única grande cidade ucraniana sob controlo total dos russos desde que invadiram a Ucrânia, em 24 de fevereiro.


A Ucrânia acusa a Rússia de querer organizar um referendo sobre a independência na região de Kherson, tal como na região vizinha de Zaporijia, onde está localizada a central nuclear com o mesmo nome.


Um referendo semelhante foi feito na região do Donbass em 2014, quando os separatistas pró-russos, apoiados por Moscovo, assumiram o controlo parcial daquela região do leste da Ucrânia.


Os separatistas proclamaram então as “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, que Moscovo reconheceu como independentes pouco antes de lançar a invasão de 24 de fevereiro.


“Não haverá República Popular de Kherson. Se alguém quiser uma nova anexação, sanções mais poderosas atingirão a Rússia”, disse o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em 22 de abril.


O Ministério da Defesa russo afirma ter levado a “vida pacífica” de volta a Kherson, mas têm ocorrido na cidade manifestações contra a Rússia e contra o referendo, de acordo com ‘sites’ ucranianos de meios de comunicação que mostram fotografias e vídeos.


Cerca de 300.000 pessoas viviam em Kherson antes da guerra.


Desconhece-se o número de baixas civis e militares provocadas pela guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 64.º dia.


A ONU confirmou a morte de 2.787 civis desde 24 de fevereiro, mas tem alertado para a probabilidade de o número real ser consideravelmente superior.


O conflito levou mais de 5,3 milhões de pessoas a fugir da Ucrânia, na pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, segundo a ONU.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, está hoje em Kiev, onde se reunirá com o Zelensky e também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba.



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