13 Maio 2022, 08:36

Scholz e Macron apelam a um cessar-fogo que permita negociações de paz

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Berlim, 09 mai 2022 (Lusa) — O chanceler alemão, Olaf Scholz, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, apelaram hoje a um cessar-fogo que permita impulsionar negociações para uma paz que deve ter como base o respeito da soberania e integridade territorial da Ucrânia.


“Já tivemos várias semanas de guerra. Temos que encontrar maneiras de acabar com esta guerra. Mas, para isso, é necessário primeiro um cessar-fogo e é claro que uma paz no futuro deve ter como condição o respeito à soberania e à integridade território da Ucrânia”, referiu Olaf Scholz.


Já Emmanuel Macron salientou que, embora o discurso de hoje, durante a celebração do Dia da Vitória em Moscovo????, do Presidente russo, Vladimir Putin, não tenha representado uma nova escalada, este ainda não é suficiente para pensar em negociações.


“Precisamos de um cessar-fogo. Somente com um cessar-fogo pode haver negociações de paz”, vincou o chefe de Estado francês.


Macron esteve pela primeira vez em Berlim desde a sua reeleição, onde manteve um encontro com Scholz motivado principalmente pela guerra na Ucrânia, mas também sobre o futuro do projeto europeu, o fortalecimento do eixo franco-alemão e questões bilaterais.


“Era evidente, para mim, que após a reeleição tinha de viajar até Berlim. Queremos reforçar tudo o que a França e a Alemanha construíram durante tantos anos e esperamos que a amizade que existe entre os nossos dois países nos permita promover importantes coisas nos próximos meses”, apontou o Presidente de França.


Entre os temas a serem abordados, segundo Macron, estão a transformação digital e a transformação ecológica, a procura da independência de fontes de energia fóssil por parte da União Europeia (UE), quer para alcançar a soberania energética, quer para cumprir as metas de redução das emissões de carbono.


Por outro lado, Macron abordou a sua ideia para criar um novo formato político que permita intensificar a cooperação com países que, como a Ucrânia, ainda não pertencem à UE ou com o Reino Unido, que saiu do organismo, mas que partilham uma série de valores comuns.


“Há anos tentamos resolver o desafio através do alargamento [da UE], mas é claro que há países que, como a Ucrânia, precisarão de anos para cumprir os critérios de entrada mesmo que optemos por um processo acelerado. Por isso, é importante criar um formato político que aproxime a Ucrânia e outros países da UE”, acrescentou.


O chefe do governo alemão considerou a proposta de Macron uma “boa ideia” e realçou que esta deve ser combinada com negociações de adesão de países como a Macedónia do Norte, cujos líderes já tomaram decisões corajosas para se aproximarem da Europa.


“Temos de evitar deceções”, alertou Scholz.


O chanceler alemão defendeu ainda a política que o seu governo tem seguido face à guerra na Ucrânia e sublinhou a mudança em algumas matérias como o envio de armas para a zona de conflito ou o aumento com despesa militar.


“A Alemanha tomou decisões importantes. Optamos por fortalecer a nossa capacidade defensiva e, assim, contribuir para a capacidade defensiva da NATO”, apontou.


“Também apoiamos, juntamente com os nossos aliados, uma maior presença militar nas fronteiras da NATO, com a qual Putin está a conseguir exatamente o oposto do que se propôs a fazer”, referiu ainda.


Scholz e Macron também sublinharam a importância das sanções contra a Rússia.


O chefe de Estado francês manifestou esperança de que os parceiros que ainda estão relutantes quanto a um embargo ao petróleo russo mudem de posição.


“As sanções serão mais eficazes se toda a UE as aceitar”, explicou Macron.


A Hungria é um dos países mais relutantes em aceitar um embargo ao petróleo russo e já anunciou que vetará essa proposta no Conselho Europeu.


A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.


A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.


A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.


 


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