14 Maio 2022, 13:10

SEF suspende colaboração com associação que recebia refugiados em Setúbal

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 30 abr 2022 (Lusa) — O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras decidiu suspender os pedidos de colaboração a pessoas ligadas à Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), após suspeitas de que refugiados ucranianos estão a ser recebidos em Setúbal por russos pró-Putin.


Na sequência de notícias que dão conta que refugiados ucranianos estão a ser recebidos por uma associação pró-Putin em Setúbal, que terão, alegadamente, fotocopiado documentos de identificação, levando alguns a sentirem-se ameaçados, o SEF refere que “não tem qualquer protocolo assinado com a Associação EDINSTVO”.


“Não obstante, identificámos que foi solicitada pontualmente, pela Delegação de Setúbal do SEF, a colaboração de serviços de tradução, através de trabalho voluntário de uma cidadã de origem ucraniana, com nacionalidade portuguesa, que pertence à referida associação”, refere aquele serviço de segurança, numa resposta enviada à Lusa, frisando que o presidente da associação “não prestou qualquer colaboração ao SEF”.


No entanto, a direção nacional determinou na sexta-feira que “as solicitações efetuadas a pessoas ligadas a essa associação fossem suspensas”.


Segundo o jornal Expresso de sexta-feira, nos serviços de apoio a refugiados da Câmara Municipal de Setúbal alguns ucranianos sentiram-se ameaçados por terem sido recebidos por responsáveis de uma associação pró-russa.


Pelo menos 160 refugiados ucranianos já terão sido recebidos por Igor Khashin, antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e pela mulher, Yulia Khashin, funcionária do município setubalense.


Igor Khashin, líder da Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), subsidiada desde 2005 até março passado pela Câmara de Setúbal, e a mulher terão alegadamente fotocopiado documentos de identificação dos refugiados ucranianos, no âmbito da Linha de Apoio aos Refugiados da Câmara Municipal de Setúbal.


Igor Khashin e a mulher terão também questionado os refugiados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia.


A Associação dos Ucranianos em Portugal disse, entretanto, que há “por todo o país” elementos pró-Putin nas organizações que estão a acolher refugiados ucranianos, alertando tratar-se de um fenómeno que se repete em toda a Europa.


Entretanto, a Câmara de Setúbal retirou do acolhimento de cidadãos ucranianos a técnica superior de origem russa Yulia Khashin e vai pedir ao Ministério da Administração Interna que proceda a uma averiguação sobre a receção de refugiados por russos alegadamente pró-Putin.


Desde o início da guerra na Ucrânia, a 24 de fevereiro, Portugal concedeu mais de 33 mil pedidos de proteção temporária a refugiados ucranianos.



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Lusa/fim

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